Marco Rubio sugere que os Estados Unidos podem se retirar das negociações de cessar-fogo na Ucrânia
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ameaçou abandonar os esforços de paz na Ucrânia caso não haja progresso nas negociações. A declaração foi feita nesta sexta-feira (18), um dia depois de sua visita a Paris, onde ele se reuniu com o presidente francês, Emmanuel Macron, e autoridades europeias, incluindo da Ucrânia.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ameaçou abandonar os esforços de paz na Ucrânia caso não haja progresso nas negociações. A declaração foi feita nesta sexta-feira (18), um dia depois de sua visita a Paris, onde ele se reuniu com o presidente francês, Emmanuel Macron, e autoridades europeias, incluindo da Ucrânia.
Rubio está hesitante quanto à possibilidade de um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia. "Temos que determinar nos próximos dias se uma trégua é viável ou não [...] Se não for possível, temos que passar para outra coisa. Os Estados Unidos têm outras prioridades", disse ele a jornalistas no aeroporto Le Bourget, em Paris.
"Se ficarmos tão distantes da impossibilidade de alcançar [a paz], acho que o presidente chegará a um ponto em que dirá: 'Bem, é isso'", insistiu Rubio.
"Temos que determinar rapidamente, e estou falando de dias, se isso é viável nos próximos meses", acrescentou o secretário de Estado dos EUA.
No entanto, ele destacou o papel de seus colegas europeus na busca de soluções para esse conflito. "Acho que o Reino Unido, a França e a Alemanha podem nos ajudar, fazer as coisas avançarem e nos aproximar de uma solução. Achei que suas ideias foram muito úteis e construtivas", avaliou Rubio. Ele acrescentou ainda que a guerra iniciada em fevereiro de 2022 pela invasão da Ucrânia pela Rússia "está ocorrendo no continente europeu".
Discussões paralisadas
Desde sua posse em janeiro deste ano, Donald Trump fez uma reaproximação com Vladimir Putin e afirma estar trabalhando por um cessar-fogo rápido na Ucrânia. Mas as discussões estão progredindo pouco. Kiev cedeu à pressão americana ao aceitar uma trégua incondicional de 30 dias, ignorada pela Rússia. Steve Witkoff, enviado especial de Trump, se encontrou com o presidente russo pela terceira vez no início de abril.
Por sua vez, a França e o Reino Unido criaram uma "coalizão dos dispostos", reunindo cerca de trinta países aliados à Ucrânia. Esta coalizão está trabalhando em particular para estabelecer uma "força de garantia" para um possível cessar-fogo e evitar qualquer nova agressão russa. No entanto, a ideia de um contingente militar multinacional em caso de acordo de paz, desejada pela Ucrânia, continua inaceitável para Moscou.
Entre quinta-feira, 17 de abril, e sexta-feira, 18 de abril, novos ataques russos atingiram diversas grandes cidades ucranianas, causando pelo menos duas mortes e 40 feridos, de acordo com autoridades ucranianas.
"Sem avanço real"
Os jornais franceses desta sexta-feira (18) repercutem o encontro em Paris entre americanos e europeus para discutir a guerra na Ucrânia. Além de Rubio, Emmanuel Macron recebeu o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, assim como representantes do Reino Unido, Alemanha e Ucrânia. Macron considerou a reunião como positiva e construtiva.
O objetivo era justamente tentar relançar negociações para um cessar-fogo, mas também acentuar a pressão sobre a Rússia. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, telefonou para o chanceler russo, Sergei Lavrov, para informar sobre as discussões em Paris, enfatizando que "a paz é possível" se ambas as partes se comprometerem com um acordo.
Para o jornal Le Monde, a reunião acabou "sem avanço real", apesar da avaliação otimista de Andriy Yermak, braço direito do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Em entrevista ao diário, ele disse que "era muito bom se sentar à mesa e trocar opiniões, com objetivo de alcançar uma paz justa e durável".
Uma nova reunião com esse mesmo objetivo deve acontecer na semana que vem em Londres.
Kiev diz ter reiterado suas "linhas vermelhas", ou seja, posições sobre as quais não abre mão: a não desmilitarização do país, a recusa a um estatuto de neutralidade na Ucrânia e o não reconhecimento dos territórios ocupados pelas tropas russas, assim como a exigência de garantias de segurança e retorno de prisioneiros.
Ucranianos e europeus também repetiram a sua recusa em retirar precipitadamente as sanções contra a Rússia, que segundo a presidência francesa, são meios de influenciar a posição de Moscou.
Paris, Kiev, Londres e Berlim consideram que o presidente russo Vladimir Putin não quer o fim da guerra, mas deseja continuar ganhando vantagem no front para enfraquecer a Ucrânia.
O jornal Le Figaro analisa em um editorial que "cada dia de guerra mostra que a estratégia pró-Rússia da Casa Branca não está funcionando diante da intransigência de Vladimir Putin e que Emmanuel Macron está bem ciente disso. Para o diário francês, Vladimir Putin ignora Donald Trump e o trata como um alvo fácil. Os europeus querem abrir os olhos dos americanos de que o presidente russo não cederá sem força".