Grécia enfrenta múltiplos focos de incêndios, impulsionados por onda de calor e fortes ventos
Os bombeiros gregos enfrentam, pelo segundo dia consecutivo, incêndios florestais que atingem diversas regiões do país, alimentados por ventos fortes e uma onda de calor persistente em toda a Grécia. Cinco incêndios principais devastam principalmente o sudoeste da península do Peloponeso e as ilhas de Creta, Eubeia e Citera, onde aviões e helicópteros retomaram as operações ao amanhecer neste domingo (27).
Os bombeiros gregos enfrentam, pelo segundo dia consecutivo, incêndios florestais que atingem diversas regiões do país, alimentados por ventos fortes e uma onda de calor persistente em toda a Grécia. Cinco incêndios principais devastam principalmente o sudoeste da península do Peloponeso e as ilhas de Creta, Eubeia e Citera, onde aviões e helicópteros retomaram as operações ao amanhecer neste domingo (27).
"Hoje promete ser um dia difícil, com risco de incêndio muito alto em quase todo o território", alertou o porta-voz dos bombeiros, Vassilis Vathrakogiannis.
Ele garantiu, no entanto, que a situação "melhorou na maioria das frentes" que surgiram no sábado (26). A Grécia, assolada por uma onda de calor pelo sétimo dia consecutivo, registra novamente temperaturas muito altas neste domingo, com máximas previstas de 43 a 44°C, de acordo com o site meteo.gr do Observatório Nacional de Atenas.
Fortes ventos de até 7 Beaufort sopram sobre os mares Egeu e Jônico, e devem enfraquecer durante o dia, informou a mesma fonte.
No sábado, os bombeiros gregos tiveram que travar uma luta intensa contra dezenas de incêndios, enfatizou o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, ao ressaltar "o agravamento da crise ambiental". "A luta continua com todos os recursos disponíveis", acrescentou ele, nas redes sociais.
Temperaturas de até 45°C
A ilha de Citera, ao largo do Peloponeso, continua a enfrentar condições de vento "preocupantes". A emissora pública de televisão ERT descreveu a situação como "um enorme desastre".
"Casas, colmeias e oliveiras foram queimadas", disse o vice-prefeito de Citera, Giorgos Komninos, à ERT. "Um mosteiro está atualmente em perigo."
Cerca de 67 bombeiros, apoiados por voluntários, três helicópteros e dois aviões, combatiam o incêndio na ilha, que forçou a evacuação de uma praia turística no sábado. Neste país mediterrâneo, acostumado a ondas de calor intensas, os bombeiros pediram à população extrema vigilância, reiterando que, em caso de incêndio, é imperativo seguir as instruções, para a segurança de todos.
No sábado, a temperatura mais alta da Grécia, 45,2°C, foi registrada no oeste. Desde segunda-feira, todo o país tem sido atingido por uma onda de calor, com os termômetros chegando a 45,8°C na sexta-feira, e 42°C em Atenas.
Risco permanece elevado
O risco de incêndio permanece "muito alto" neste domingo na Ática (região onde a capital está localizada), no centro e oeste da Grécia, particularmente em Creta, de acordo com a Agência de Proteção Civil. Na segunda-feira, no entanto, as temperaturas devem cair.
A Grécia solicitou assistência da União Europeia para combater as chamas, com seis aeronaves de combate a incêndios, por meio do Programa Europeu de Compartilhamento de Recursos (RescEU). Duas aeronaves italianas são esperadas neste domingo, enquanto unidades especializadas de combate a incêndios da República Tcheca já estão em ação.
No sábado, a 30 quilômetros ao norte de Atenas, um incêndio se alastrou, causando danos e destruição, antes de ser controlado. "O vento estava muito forte. O incêndio nos cercou", disse o contador Petros Avramopoulos à AFP.
"O que podemos fazer? Não sabemos (...). Espero que nos salvemos. As pessoas perderam seus pertences", comentou Giorgos, morador do vilarejo de Kryoneri, emocionado.
Na ilha de Eubeia, perto da capital, as chamas reduziram milhares de hectares de floresta a cinzas, e inúmeros animais morreram quando o fogo atingiu fazendas e rebanhos isolados. Cinco bombeiros foram hospitalizados.
Em algumas áreas sem energia desde sábado, equipes começaram a reparar os graves danos à rede elétrica. Muitos vilarejos também enfrentaram sérios problemas de abastecimento de água. Na ilha de Creta, os bombeiros controlaram o incêndio em Chania, de acordo com a agência de notícias grega ANA. Dois outros focos estavam ativos no Peloponeso.
Os incêndios que se multiplicam pelo mundo estão associados ao aumento dos fenômenos extremos, previstos pelos cientistas devido ao aquecimento global.
630 hectares queimados na França
A França também sofre com as chamas neste fim de semana. Deixando um rastro de cinzas, o violento incêndio que varreu 630 hectares na costa mediterrânea do departamento de Aude está agora sob controle, mas o forte vento que sopra no domingo preocupa os bombeiros.
Em Sigean, onde o fogo começou no sábado, uma camada de cinzas cobre o solo perto da estrada D6009, observou um jornalista da AFP. Entre esta estrada e o maciço de Corbières, terrenos inteiros foram completamente queimados, as árvores carbonizadas, a vegetação escureceu.
"O fogo, intensificado por ventos fortes, atingiu imediatamente uma granja, além de casas", indicou o prefeito de Sigean, Michel Jammes, à AFP.
O incêndio começou às 13h45 de sábado, com causa ainda desconhecida. Os bombeiros combateram as chamas durante toda a noite, até "controlá-lo e contê-lo dentro de uma área residencial", disse uma autoridade local à AFP.
Mais de 600 bombeiros da região, apoiados por 180 veículos terrestres, duas aeronaves Canadair e dois helicópteros de bombardeio de água, participaram das operações. "Mesmo que a situação seja favorável e o incêndio esteja controlado (...), continuamos cautelosos porque temos este vento que pode reativar todos os focos de incêndio", acrescentou o comandante regional dos bombeiros, Christophe Magny.
Mil moradores e turistas foram evacuados por precaução. "Tínhamos uma situação que se configurava como extremamente grave", acrescentou Jammes, lembrando que essa é "uma área turística, com três vilarejos com grande população" e que este era "um fim de semana de engarrafamentos" por causa do grande numéro de turistas nas estradas da região.
Com informações da AFP