França: relatório de CPI aponta falhas do Estado e quebra silêncio sobre violências escolares
Uma Comissão de Inquérito Parlamentar investigou casos de violência escolar na França durante três meses. O relatório de 300 páginas evidencia falhas do Estado e faz 50 recomendações. O assunto é destaque nos jornais franceses nesta quinta-feira (3).
Uma Comissão de Inquérito Parlamentar investigou casos de violência escolar na França durante três meses. O relatório de 300 páginas evidencia falhas do Estado e faz 50 recomendações. O assunto é destaque nos jornais franceses nesta quinta-feira (3).
De acordo com os deputados que participaram da comissão, a prevenção é "insuficiente", os controles "quase inexistentes" e os processos de investigação de casos apontados são "ineficazes". O jornal Le Monde destaca que, na maioria das vezes, "as vítimas se expressam sem serem devidamente ouvidas", demonstrando falhas por parte dos educadores, dos pais, da Polícia e da Justiça. Os parlamentares fizeram 50 recomendações para "quebrar a cultura do silêncio". Entre elas, formação para professores, contratação de profissionais para tratar de saúde nos estabelecimentos escolares e mais informação sobre os direitos dos alunos.
Os estabelecimentos privados católicos ocupam lugar de destaque no relatório. Ainda segundo o Le Monde, os "mecanismos de violência escolar são acentuados nesses locais baseados em um modelo educativo mais estrito, com muitos internatos e onde a lei do silêncio impera". A presidente da comissão descreve os resultados da investigação, que contou com 130 entrevistas e mais de 3 mil documentos analisados, como prova de "violências físicas e sadismo absoluto".
Os jornal Libération destaca que grande parte das denúncias ocorreram em escolas privadas que recebem financiamento público, mas não são submetidas às mesmas regras de transparência do que escolas do Estado. Entre 2017 e 2023, somente 12 de 7500 estabelecimentos privados sob contrato com o Estado foram inspecionados. Os deputados propõem um controle pelo menos a cada cinco anos. Além disso, eles pedem a abertura de um debate para que crimes sexuais contra menores não possam prescrever.