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França: charges de Maomé geram debate sobre liberdade de expressão

19 set 2012 - 12h54
(atualizado às 13h24)
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Os franceses estão divididos entre a liberdade de expressão e a condenação de um "excesso", após a publicação de caricaturas de Maomé por um jornal semanal satírico, em um contexto de violência no mundo provocado por um filme ofensivo ao Islã.

Foto: CHARLIE HEBDO / AFP

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Depois da distribuição do último número da Charlie Hebdo, a reação foi imediata, com medidas de segurança e apelos por calma. Temendo manifestações, enquanto no restante do mundo o filme "A inocência dos muçulmanos" causou protestos mortais, as autoridades decidiram fechar suas embaixadas, escolas e instituições culturais na sexta-feira em doze países e proibiu protestos em Paris no sábado diante da representação diplomática americana.

Já o reitor da Grande Mesquita de Paris, Boubakeur, anunciou para sexta-feira, o dia da grande oração semanal, "a leitura de uma mensagem de paz" nas mesquitas. Enquanto o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM, que representa essa religião nos órgãos públicos) pediu "para não ceder à provocação".

Na rua, a revista Charlie Hebdo, que publicou uma dúzia de desenhos retratando fundamentalistas muçulmanos e onde Maomé é representado duas vezes nu, teve seus exemplares esgotados em algumas bancas nesta quarta-feira, enquanto em outras, eles foram rasgados. As caricaturas suscitaram um acirrado debate na França sobre qual é o limite da liberdade de imprensa diante da responsabilidade.

Desde terça-feira, o governo socialista reitera que a liberdade de expressão é um "direito fundamental" (Manuel Valls, ministro do Interior), ao mesmo tempo que desaprova "qualquer excesso" (Jean-Marc Ayrault, primeiro-ministro) e "provocação" (Laurent Fabius, chefe da diplomacia).

O posicionamento foi "tímido", segundo o editorial do jornal La République des Pyrénées, e que permeia toda a sociedade em um país dedicado à liberdade de imprensa (adquirida em 1881), mas também "provavelmente um pouco paranoico", de acordo com a Nova República do Centro, outro jornal regional.

À direita, o ex-primeiro-ministro François Fillon defende "a liberdade de expressão e pensa que não devemos ceder um centímetro de terra nesse âmbito", mas seu ex-ministro Rama Yade denuncia "manchetes exageradas com o objetivo de provocação".

O mesmo debate toma conta das redes sociais. "Eu odeio a Charlie Hebdo, mas luto pela liberdade de expressão. Esta é uma República Democrática", escreveu um internauta no Twitter. "Existe a liberdade de expressão. Charlie Hebdo, você acabou de inventar a liberdade de ser estúpido!", respondeu um outro.

Na França, onde a separação entre Estado e Igreja data de 1905, o anticlericalismo e a veia cartunista são cultivados há mais um século, lembram os especialistas.

"Podemos blasfemar o tanto quanto quisermos todas as religiões. No contexto atual, o que a Charlie Hebdo fez é provocativo, mas é sua função dizer que em um Estado laico e republicano temos o direito de zombar de tudo que é sagrado", considera o historiador da imprensa na Sorbonne, Patrick Eveno.

"Se começarmos a dizer, porque há 250 agitados que protestam em frente à embaixada dos Estados Unidos, que devemos adiar ou não publicar os desenhos, isso significa que são eles que fazem a lei França", argumentou o editor do jornal, o desenhista Charb.

Sim, mas, respondem os outros, "a liberdade de expressão encontra um limite na violência simbólica que inflige aos outros", ressalta o cientista político Philippe Braud.

A reprodução de caricaturas de Maomé em um jornal dinamarquês em 2005 desencadeou uma onda de fúria no mundo muçulmano e em novembro de 2011 a Charlie Hebdo foi vítima de um incêndio criminoso após a publicação de uma série rebatizada de "Sharia hebdo", com representações do profeta muçulmano.

Em seu editorial desta quarta-feira, o jornal Le Monde levanta a questão: "Fundamentalismo: devemos jogar lenha na fogueira?"

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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