Em meio a negociações travadas, Moscou e Kiev realizam troca de prisioneiros de guerra
Moscou anunciou nesta quinta-feira (5) que Ucrânia e Rússia realizaram uma troca de 200 prisioneiros de guerra de cada lado, a primeira etapa de um acordo firmado durante negociações recentes em Genebra. O pacto prevê que 500 detidos serão entregues por cada país até sexta-feira.
"Como parte dos acordos alcançados em Genebra, uma troca de prisioneiros com a Ucrânia ocorrerá nos dias 5 e 6 de março. 500 por 500", escreveu no Telegram o negociador russo e conselheiro do Kremlin, Vladimir Medinsky.
Pouco antes da declaração, o Ministério da Defesa russo, citado pela agência TASS, informou que a primeira fase da operação já havia sido concluída, com a libertação de 200 prisioneiros russos em troca de 200 soldados ucranianos detidos por Moscou. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia acrescentou que a segunda etapa, envolvendo 300 prisioneiros de cada lado, está prevista para esta sexta-feira.
Segundo o governo russo, o acordo é resultado de um processo de negociação complexo, que contou com a mediação dos Emirados Árabes Unidos e dos Estados Unidos. As trocas de prisioneiros - e também de corpos - são um dos poucos resultados concretos das rodadas de diálogo mantidas entre Kiev e Moscou desde o início da guerra.
Sem acordo territorial
Em fevereiro, uma nova série de discussões ocorreu em Genebra entre representantes ucranianos, russos e americanos, mas não produziu avanços diplomáticos capazes de aproximar o fim do conflito, iniciado após a ofensiva em larga escala lançada pela Rússia em fevereiro de 2022.
As conversas seguem travadas, principalmente devido ao impasse sobre o futuro de Donbas, região industrial estratégica no leste da Ucrânia. Moscou exige a retirada das forças ucranianas das áreas ainda controladas por Kiev na província de Donetsk, uma condição que a Ucrânia rejeita categoricamente.
No início de fevereiro, os dois países já haviam efetuado uma troca envolvendo 157 prisioneiros de guerra de cada lado, a primeira desde outubro de 2025.
Com AFP