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Egípcios promovem hashtag para afirmar que "muçulmanos não são terroristas"

15 nov 2015 - 19h11
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A hashtag "Muçulmanos não são terroristas" se transformou em uma das mais comentadas entre os egípcios neste domingo no Twitter após os atentados de sexta-feira em Paris, no qual morreram 132 pessoas e mais de 350 ficaram feridas.

Frases como "o Islã é a religião do amor, da tolerância, da paz e do bem" acompanhavam os tweets de outros internautas, que afirmavam que os jihadistas não eram muçulmanos, acusando a Europa e os Estados Unidos de serem os verdadeiros terroristas.

"Por que são os muçulmanos os terroristas, quando, em primeiro lugar, foram vocês que criaram o terrorismo ocupando nossa terra, matando milhões e fazendo com que ainda soframos por isso?", questionava a usuária identificada como Nadia Shokry, uma dos muitos que criticavam o Ocidente usando a hashtag.

Para o especialista em psicologia egípcio Hany Henry, a reação é uma resposta natural ao uso do termo "terrorismo islâmico" por parte da imprensa na cobertura dos atentados de Paris, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

"Os jovens do Twitter sentem que a imprensa internacional vinculou o terrorismo ao Islã e querem reafirmar que eles não têm nada a ver com isso, que eles são bons", disse à Agência Efe Henry, professor da Universidade Americana do Cairo (AUC).

Henry se identifica com aqueles que responderam reafirmando sua identidade muçulmana e elogiando os valores humanísticos da religião. E reiterou que os tweets têm que ser observados no contexto da rede social, caracterizada por "grande desinibição".

No entanto, alerta que nesse tipo de mensagem, com apenas 140 caracteres, ninguém faz um verdadeiro exame de consciência.

"O problema com os árabes é que sempre fazemos o papel de vítimas, nos falta o olhar interior. Não temos uma cultura de reconhecer nossos problemas e isso representa um problema, um grave problema", avaliou o professor.

Para Henry, os muçulmanos permitiram que os terroristas criassem uma "imagem monstruosa" do Islã e foram incapazes de estabelecer limites. Por isso, reiterou que, "enquanto a cultura do vitimismo e as teorias conspiratórias tiverem prioridade para explicar qualquer crise, os problemas não serão solucionados".

O professor acredita que, para resolver a questão, é preciso reformar o discurso religioso e separar o Estado da religião.

EFE   
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