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Dez homens serão julgados em Paris pelo naufrágio de um barco de imigrantes no Canal da Mancha

Dez homens, incluindo um menor, serão julgados em breve em Paris, responsabilizados pelo naufrágio fatal no Canal da Mancha, em agosto de 2023, de um barco superlotado que tentava chegar à Inglaterra.

1 jul 2025 - 11h10
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Dez homens, incluindo um menor, serão julgados em breve em Paris, responsabilizados pelo naufrágio fatal no Canal da Mancha, em agosto de 2023, de um barco superlotado que tentava chegar à Inglaterra.

Migrantes navegam a bordo de um barco de contrabandistas em uma tentativa de atravessar o Canal da Mancha na praia de Neufchatel-Hardelot, norte da França, em 18 de junho de 2025.
Migrantes navegam a bordo de um barco de contrabandistas em uma tentativa de atravessar o Canal da Mancha na praia de Neufchatel-Hardelot, norte da França, em 18 de junho de 2025.
Foto: AFP - SAMEER AL-DOUMY / RFI

Na noite de 11 para 12 de agosto de 2023, o barco, que transportava cerca de 60 pessoas, a maioria afegãos, sofreu uma falha no motor. Sete afegãos, nascidos entre 1989 e 2002, perderam a vida, enquanto 58 pessoas foram resgatadas.

Dois anos após a tragédia, dois juízes de instrução franceses ordenaram o julgamento de nove homens perante o tribunal criminal. Dois deles estão sob mandado de prisão. A audiência será marcada nos próximos meses.

Um décimo homem, com 16 anos na época do acidente, será julgado perante o tribunal de menores. A investigação judicial revelou uma "aliança de vários ramos do crime", trabalhando com "funções predefinidas" desde 2022, de acordo com a ordem dos juízes. De um lado, há uma "rede iraquiano-curda" responsável pela logística e, de outro, uma "rede afegã" responsável por encontrar candidatos interessados em migrar.

Conversas obtidas pelos investigadores detalham os contornos de uma organização violenta e com fins lucrativos — um iraquiano, por exemplo, ameaçou intimidar seus "concorrentes", "explodindo o barco deles", para impedi-los de organizar travessias.

"Desastres naturais"

Conversas telefônicas dos acusados, gravadas enquanto eles estavam em suas celas após os indiciamentos, mostram que os responsáveis minimizam os riscos da ação e comparam as travessias fatais a "desastres naturais".

"Você tem mais experiência do que eu nessa área, aconteceu com você também", disse um dos supostos contrabandistas a outro homem ao telefone.

"Eu entendo perfeitamente. Ninguém o culpa, ninguém está dizendo que você os matou, mas você sabe que há limites a serem respeitados. Não se coloca 70 ou 80 pessoas em um barco", respondeu o homem.

"Nós não os colocamos a bordo, eles embarcaram", disse o outro.

Esses homens serão julgados por homicídio culposo e lesão corporal culposa, colocar a vida de terceiros em risco, conspiração criminosa e cumplicidade com imigração ilegal.

"Meu cliente nega qualquer envolvimento nesses atos", defendeu Shirine Heydari-Malayeri, advogada de um dos afegãos, à AFP.

"Não entendo por que os crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, bem como de colocar em risco, estão sendo imputados ao meu cliente, já que a investigação não estabeleceu que ele enviou pessoas para o barco que afundou", declarou à AFP Emmanuel Pire, advogado de outro suspeito afegão.

"Pilotos" ou "peões"?

Um sudanês e um sul-sudanês são acusados de pilotar o barco em troca de uma travessia mais barata, mas não são suspeitos de outros crimes.

Só que, aos olhos de Raphaël Kempf, advogado do sudanês, esses homens também são "vítimas" das redes. "Sabemos muito bem que os contrabandistas não embarcam; eles não querem se colocar em perigo. Esses dois homens embarcaram sem coletes salva-vidas", enfatizou o advogado. "Ao processá-los, a justiça francesa não busca combater as redes, mas criminalizar o exílio".

"Quando um (barco) Zodiac é lançado em condições incrivelmente perigosas, todos os passageiros contribuem para o sucesso da travessia, pois esperam chegar à Inglaterra", continuou Kempf.

Para Delphine Schlumberger, advogada do sul-sudanês, esses "pilotos" são vistos como "peões", colocados "em prisão preventiva para que a justiça francesa possa demonstrar que está ativa, mas os líderes da rede ainda não foram capturados".

"Ele sempre negou ter pilotado. Era um menor de idade que chorava ao falar da mãe, a quem queria ajudar financeiramente", disse Schlumberger.

Este naufrágio é um dos mais mortais dos últimos anos no Canal da Mancha, depois daquele que deixou 27 mortos em 24 de novembro de 2021, na costa de Calais, um caso que ainda não foi julgado. Na segunda-feira (30), nove contrabandistas, a maioria afegãos, foram condenados em Lille a sete e oito anos de prisão por um naufrágio que custou a vida de oiti pessoas no Canal da Mancha em dezembro de 2022.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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