'Como escravos': justiça francesa condena responsáveis por exploração de imigrantes na produção de champanhe
Em uma decisão histórica, três pessoas foram condenadas a penas de prisão por terem explorado e alojado em condições indignas cerca de cinquenta trabalhadores, muitos deles imigrantes sem documentos, durante a colheita de uvas de 2023 na renomada região vinícola de Champanhe. A sentença foi proferida pelo Tribunal de Châlons-en-Champagne nesta segunda-feira (21).
Em uma decisão histórica, três pessoas foram condenadas a penas de prisão por terem explorado e alojado em condições indignas cerca de cinquenta trabalhadores, muitos deles imigrantes sem documentos, durante a colheita de uvas de 2023 na renomada região vinícola de Champanhe. A sentença foi proferida pelo Tribunal de Châlons-en-Champagne nesta segunda-feira (21).
A principal ré, diretora da empresa de serviços vitivinícolas Anavim, acusada de trabalho dissimulado, emprego de estrangeiros sem autorização e com "retribuição inexistente ou insuficiente", foi condenada a quatro anos de prisão, dos quais dois serão cumpridos em regime fechado. Outras duas pessoas foram condenadas a dois e três anos de prisão, um deles também em regime fechado, por terem participado do recrutamento dos empregados.
"É uma decisão exemplar, que leva em conta o número de vítimas e as condições em que foram empregadas e exploradas", afirmou Maxime Cessieux, advogado das vítimas. "É bastante histórico no contexto de casos de tráfico de pessoas no mundo do trabalho."
Os trabalhadores eram alojados em um edifício insalubre, com sanitários "repugnantes" e obsoletos, instalações elétricas perigosas e colchões no chão. Além disso, recebiam salários "insuficientes", conforme determinado pela justiça.
O presidente do tribunal qualificou os fatos como de "gravidade excepcional" e exigiu a dissolução da sociedade Anavim. Além disso, uma cooperativa vinícola que comprava o fruto das colheitas foi condenada a uma multa de € 75.000. Os réus também foram obrigados a pagar € 4.000 a cada vítima.
Trabalho sem comida ou água
Durante o julgamento, vítimas como Modibo Sidibe e Camara Sikou relataram as condições de trabalho e vida desumanas. Sidibe contou que os trabalhadores foram colocados em um prédio abandonado, sem comida ou água, e trabalhavam das 5h da manhã às 18h, sem pausa. Sikou, ao ser questionado sobre como foi tratado, respondeu simplesmente: "como escravo".
"Nunca imaginamos conseguir uma decisão como essa. Estamos muito satisfeitos que os culpados tenham sido condenados e que sejamos reconhecidos como vítimas", reagiu um dos trabalhadores, Djakariyaou Kanouté, originário do Mali. "As pessoas realmente trabalhavam em condições muito ruins. Essa decisão é justa", acrescentou Amadou Diallo, 39 anos, originário do Senegal.
O Comitê Champagne, que representa 16.200 vinicultores, 130 cooperativas e 370 casas de champanhe, foi parte civil. "Tínhamos o dever de nos posicionar ao lado das vítimas. Não se brinca com a saúde e a segurança dos trabalhadores temporários. Também não se brinca com a imagem de nossa denominação", reagiu o Comitê na segunda-feira.
Uma empresa prestadora de serviços e seu gerente serão julgados em 26 de novembro em Châlons-en-Champagne, suspeitos de terem alojado em condições indignas cerca de quarenta ucranianos também durante as colheitas de 2023.
(Com AFP)