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Busca de Bento XVI para reconquistar fiéis atinge impasse

30 set 2012 - 11h54
(atualizado às 12h35)
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A tentativa do Papa Bento XVI de trazer católicos tradicionalistas rebeldes de volta à congregação romana, uma tarefa ampla e que dividiu católicos e às vezes constrangeu o pontífice, parece ter chegado a um beco sem saída e com poucas chances de uma solução.

Papa Bento XVI defende neste sábado, no Líbano, a liberdade religiosa como "um direito fundamental"
Papa Bento XVI defende neste sábado, no Líbano, a liberdade religiosa como "um direito fundamental"
Foto: AP

Dois líderes da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX), que se separou após rejeitar reformas no Segundo Conselho do Vaticano entre 1962 e 1965, recentemente rejeitaram as condições para sua reabilitação depois de uma série de contatos com Bento XVI após a eleição do Papa, em 2005.

O bispo-chefe da fraternidade, Bernard Fellay, cujas autoridades da Igreja esperam que mande uma resposta oficial para Roma em breve, ainda não indicou a posição final do grupo, mas ela não deve ser positiva.

Uma rejeição formal do grupo seria um revés para Bento XVI, cuja decisão de retirar a excomunhão sobre seus quatro bispos em 2009 teve efeito contrário quando foi divulgado que um deles era um notório negador do Holocausto, e o Vaticano nem sequer sabia disso.

"A FSSPX estabeleceu condições que são simplesmente inaceitáveis para o papa", afirmou à Reuters Nicolas Seneze, um especialista francês sobre a fraternidade. "As conversas estão de volta ao patamar zero."

A FSSPX, baseada na Suíça, se desligou de Roma em 1988, em protesto contra as reformas dos anos 1960, que trocaram o latim pelas línguas locais nas missas, buscaram a reconciliação com os judeus e admitiram que outras religiões também podem levar fiéis para o caminho da salvação.

Bento 16, que à época era a principal autoridade doutrinária do Vaticano, não conseguiu convencer o Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da FSSPX, a não nomear quatro bispos, o que significa que a fraternidade continuava a operar fora do controle do Vaticano.

Concessões não correspondidas

Desde sua eleição como papa, Bento XVI se encontrou com Fellay, promoveu as missas em Latim que a FSSPX tanto preza e retirou excomunhões impostas sobre Lefebvre e os quatro bispos quando eles afrontaram o papa João Paulo e continuaram com as nomeações não autorizadas.

A decisão de Bento XVI em 2007 de permitir um uso maior da antiga Missa em Latim teve reações mistas entre os católicos. Uma minoria a viu com bons olhos, mas muitos acharam que retomar os rituais do século XVI era uma decisão retrógrada.

Dois anos depois, ele causou ainda mais críticas de católicos, judeus e políticos alemães ao retirar as excomunhões, colocando o bispo Richard Williamson, que nega a existência do Holocausto, de volta à Igreja.

Em 2010, o Vaticano lançou discussões teológicas internas com os rebeldes para obter um acordo que iria tornar a FSSPX uma "prelatura pessoal", ou instituição autônoma na Igreja, similar ao grupo conservador Opus Dei.

Bento XVI insiste que eles declarem o Conselho do Vaticano e a doutrina da Igreja como ensinamentos católicos válidos. Mas negá-los consiste em um dos princípios do FSSPX.

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