Às vésperas de aumento no preço dos ingressos, museu do Louvre é totalmente fechado por greve
O Louvre não abriu suas portas nesta segunda-feira (12) devido à greve de seus funcionários, mobilizados desde meados de dezembro contra as condições de trabalho no museu mais visitado do mundo. A nova paralisação, que atinge todos os percursos da atração, ocorre dois dias antes da entrada em vigor contestada de uma nova política tarifária da instituição parisiense, que prevê aumento no preço dos ingressos, fixando o valor em € 32 para visitantes não europeus.
"Caros visitantes, devido a um movimento social, o Museu do Louvre está excepcionalmente fechado hoje", informou a instituição em mensagem publicada em seu site oficial. Segundo uma porta-voz do museu, que recebeu nove milhões de visitantes no ano passado, a instituição não tem condições de abrir por causa da greve e permanecerá totalmente fechada ao longo desta segunda-feira.
Desde o início da mobilização dos funcionários, em 15 de dezembro, o museu quase sempre conseguiu abrir parcialmente, sobretudo o chamado "percurso das obras-primas", um dos mais visitados, que inclui a Mona Lisa, a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia. Desta vez, no entanto, nenhum dos percursos da instituição está acessível ao público.
Os funcionários protestam contra a falta de pessoal, especialmente na vigilância das salas, e contra o aumento do preço dos ingressos para turistas de fora da Europa, medida que entra em vigor em 14 de janeiro. A partir dessa data, visitantes que não pertencem ao Espaço Econômico Europeu (EEE) — que inclui a União Europeia, mas também Islândia, Liechtenstein e Noruega — terão de pagar € 32 (cerca de R$ 200 na cotação atual) para percorrer os 73 mil metros quadrados do museu, € 10 (R$ 62) a mais do que o valor atual. Os sindicatos exigem o abandono do aumento no preço da entrada.
Turismo de massa: novo percurso para ver Mona Lisa é criticado
Apesar de reuniões realizadas no fim de semana passado, entre 300 e 350 funcionários decidiram manter a greve nesta segunda-feira, diante da falta de avanços considerados suficientes, inclusive em relação às condições de trabalho. "Há um problema de diálogo social e uma grande desconfiança em relação à direção", avaliou Valérie Baud, delegada sindical da CFDT no Louvre. "Há claramente um bloqueio", acrescentou Gary Guillaud, do sindicato CGT.
Além das condições de trabalho e do aumento do preço dos ingressos, os sindicatos contestam o projeto LNR - Louvre - Nouvelle Renaissance (Louvre Novo Renascimento, em tradução livre), que prevê, entre outras medidas, a abertura de uma nova entrada e a criação de um percurso específico para ver a Mona Lisa. Apontando a deterioração do edifício em um contexto de aumento da frequência, os representantes dos trabalhadores defendem que obras de renovação sejam priorizadas, em vez de um projeto de reestruturação que, segundo eles, tornaria o museu ainda mais voltado à visitação turística em massa.
O Museu do Louvre encontra-se sob forte pressão desde o espetacular roubo ocorrido em 19 de outubro, quando quatro homens invadiram o local por uma janela e levaram, em poucos minutos, diversas joias avaliadas em mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 537 milhões, na cotação atual). A instituição também precisou fechar uma galeria em novembro devido à deterioração do prédio e enfrentou um vazamento de água que danificou centenas de obras do setor de antiguidades egípcias.
Para quem já havia reservado seus ingressos com antecedência para esta segunda-feira, é importante saber que os documentos oficiais do Museu do Louvre (CGV - Condições Gerais de Venda) não preveem explicitamente o "reembolso automático", mas estabelecem o direito ao ressarcimento quando a prestação do serviço não pode ser realizada, o que inclui o fechamento total do museu. A instituição, porém, não divulgou nenhum comunicado confirmando essa possibilidade no caso específico da mobilização desta segunda-feira (12).
Com agências