25/11: imprensa francesa faz balanço de agressões contra mulheres
Neste 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, os jornais da França fazem um balanço das agressões no país e a luta de associações, profissionais e militantes para apoiar as vítimas, reforçar a conscientização da sociedade e pressionar o governo por políticas públicas mais eficazes.
O jornal Libération traz uma reportagem especial fazendo um apanhado da situação das violências domésticas em toda a França. Em entrevista ao diário, a diretora-geral da Federação Nacional de Solidariedade às Mulheres, Mine Günbay, coordenou um relatório sobre os telefonemas feitos no ano passado ao número 3919, criado pelo governo para atender vítimas de agressões sexistas. Segundo ela, o documento deixa em evidência dois principais fenômenos: o aumento de novas denúncias contra pessoas já acusadas de violências contra mulheres e a intensificação de agressões extremas contra as vítimas.
O jornal Le Figaro aborda o combate das mulheres contra as violências domésticas em áreas rurais, onde mais de 50% dos feminicídios da França são registrados. A matéria aponta que se o apoio às francesas vítimas de agressões já é insuficience de um modo geral, nas pequenas cidades do país, a situação é ainda mais grave. Entre as diversas falhas, Le Figaro aponta a falta de hospitais e de profissionais de saúde especializados que possam identificar as violências vividas por mulheres de zonas agrárias.
O jornal La Croix destaca uma futura iniciativa na região da Loire-Atlantique, no noroeste da França, onde todas as mulheres que recorrerem aos serviços sociais locais deverão responder a um questionário sobre violência doméstica. A medida nasce após um projeto-piloto que revelou um dado alarmante: mais de 85% das usuárias desses serviços já haviam sofrido agressões. Em oito de cada dez casos, os autores das violências eram maridos, companheiros ou ex-parceiros.
O jornal Le Parisien traz uma reportagem sobre um serviço especializado no atendimento a mulheres vítimas de violência, instalado no Hospital Bicêtre, em Val-de-Marne, na grande região parisiense. O local oferece não apenas um atendimento médico e psicológico à essas vítimas, mas também jurídico e social. O espaço oferece suporte integral, que vai além do cuidado médico e psicológico, incluindo também orientação jurídica e acompanhamento social. Em 2024, quase 170 mulheres foram acolhidas pelo serviço, a mais jovem, com 18 anos e a mais idosa, de 81.