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EUA acusam China de realizar teste nuclear secreto e reacendem a tensão entre as potências

Uma acusação dos Estados Unidos contra a China reacende as tensões entre as potências nucleares e o debate sobre o futuro do controle de armas, em um contexto de crescente rivalidade estratégica e desconfiança entre os dois países.

19 fev 2026 - 09h02
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Clea Broadhurst, correspondente da RFI em Pequim, e AFP

Mísseis balísticos chineses DF-61 durante um desfile militar em Pequim, em 3 de setembro de 2025. (Imagem ilustrativa)
Mísseis balísticos chineses DF-61 durante um desfile militar em Pequim, em 3 de setembro de 2025. (Imagem ilustrativa)
Foto: © 路透社资料图片 / RFI

Os Estados Unidos afirmam ter evidências que sugerem que a China realizou um teste nuclear secreto. Segundo Washington, um sinal sísmico detectado em junho de 2020 perto do sítio de Lop Nur, no oeste da China, corresponde a uma explosão nuclear de baixa potência.

As autoridades norte-americanas acreditam que os dados registrados não correspondem a um terremoto ou a qualquer atividade de mineração conhecida. Elas sugerem a possibilidade de um teste deliberadamente discreto, possivelmente planejado para burlar os mecanismos internacionais de monitoramento e verificação.

Pequim rejeita categoricamente essas alegações e acusa Washington de distorcer os fatos para justificar sua própria estratégia nuclear.

Especialistas internacionais permanecem cautelosos: os sinais sísmicos observados são considerados muito fracos para confirmar definitivamente que se tratou de um teste nuclear, dada a falta de evidências técnicas suficientes.

Vácuo no controle de armas

Para além da análise científica, este caso faz parte de um desafio mais amplo no quadro de desarmamento. Ele surge no momento em que o último grande tratado que limitava os arsenais estratégicos das principais potências nucleares expirou, deixando um vácuo no controle de armas.

Batizado de Novo START, o tratado de controle de armas nucleares, firmado entre os Estados Unidos e a Rússia em 2010, expirou neste mês de fevereiro. Diante disso, o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu um novo acordo que inclua a China.

O documento impunha limites rigorosos de 1.550 ogivas estratégicas implantadas e 800 lançadores e bombardeiros pesados para cada lado, contando com mecanismos de verificação mútua.

No entanto, a eficácia do tratado já estava severamente comprometida desde 2023, quando as inspeções foram suspensas em decorrência da ofensiva russa em grande escala na Ucrânia.

EUA ameaçam retomar testes

Neste contexto, Washington agora levanta a possibilidade de retomar seus próprios testes nucleares, em nome do equilíbrio estratégico. Essa perspectiva alimenta as preocupações de muitos analistas, que alertam para a crescente desconfiança e o risco tangível de escalada entre as potências nucleares.

Nesta terça-feira (17), um alto funcionário do governo norte-americano afirmou que os EUA estão prontos para voltar a realizar testes nucleares de baixa potência, encerrando décadas de moratória, e reiterou acusações de explosões secretas por parte da China.

Christopher Yeaw, subsecretário do escritório de controle de armas e não proliferação do Departamento de Estado norte-americano, afirmou que Trump falava sério quando declarou em outubro, sem dar detalhes, que os EUA voltariam a realizar testes nucleares.

"Como disse o presidente, os Estados Unidos voltarão a realizar testes em igualdade de condições", declarou Yeaw no centro de estudos Hudson Institute, em Washington. "A igualdade de condições, no entanto, pressupõe uma resposta a um padrão prévio. Não é preciso ir além de China ou Rússia para encontrar esse padrão", explicou.

Yeaw não anunciou uma data para esses testes e disse que Trump tomará a decisão, mas indicou que ocorrerão em um "cenário parelho". "Não vamos continuar em uma desvantagem intolerável", acrescentou.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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