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Itália conclui inquérito sobre esquema de venda de cidadania a brasileiros

Reconhecimento era comercializado por até 5 mil euros, segundo acusação

19 fev 2026 - 10h18
(atualizado às 10h33)
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O Ministério Público de Agrigento, no sul da Itália, concluiu uma investigação contra 22 pessoas suspeitas de participarem de um esquema de venda de cidadania para brasileiros.

Cidadania italiana para brasileiros voltou a ser alvo de inquérito
Cidadania italiana para brasileiros voltou a ser alvo de inquérito
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O encerramento do inquérito antecede a formalização da denúncia, que pode tornar os investigados réus por corrupção, falsidade ideológica, revelação de informações confidenciais e favorecimento à imigração clandestina.

Entre os alvos está Dario Gaglio, prefeito de Camastra, município de cerca de 2 mil habitantes na região da Sicília, além de servidores e guardas municipais. A investigação também abarca as cidades de Comitini, Naro, Porto Empedocle e Raffadali, todas na província de Agrigento.

Segundo a acusação, dezenas de brasileiros viajaram à região para obter a cidadania italiana por direito de sangue a partir de um mecanismo construído com documentos falsos, moradias fictícias e cumplicidade de servidores municipais.

A suspeita é de que o reconhecimento da cidadania era vendido por cifras entre 3,5 mil e 5 mil euros (entre R$ 21,5 mil e R$ 31 mil). Dois despachantes com sede em Raffadali seriam responsáveis por cada etapa do processo, desde o transporte dos brasileiros até sua colocação em imóveis alugados, frequentemente de parentes de servidores municipais, incluindo até a produção de supostos vínculos empregatícios falsos.

Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento de cidadania italiana jus sanguinis, especialmente envolvendo brasileiros.

O problema mais frequente é justamente a questão da residência. Para obter o reconhecimento na Itália, sem precisar encarar as filas nos consulados, é preciso comprovar moradia no país, o que exige a permanência por um período relativamente incerto, mas que pode durar por volta de três meses.

As fraudes recorrentes foram um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália.

Ansa - Brasil
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