"Resgatamos Porto Rico", diz democrata sobre anexação aos EUA
Porto Rico rejeita continuidade e opta por se tornar parte dos EUA
A ilha caribenha de Porto Rico optou por se tornar um Estado americano nesta quarta-feira ao mesmo tempo em que derrubou seu atual governador, partidário da ideia, em uma eleição apertada. Os habitantes votaram contra a atual relação de Estado Livre Associado e a favor da anexação de seu território aos Estados Unidos da América. Para ter efeito, a medida precisa ser aprovada no Congresso de Washington.
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O processo que decidiu pela elevação de Porto Rico à condição de Estado americano - o 51º do país - foi alvo de críticas, mas o resultado foi aceito pelo governador estadista e então candidato à reeleição Luis Fortuño, membro do Partido Novo Progressista, favorável à decisão dos porto-riquenhos e identificado com os republicanos. Apesar de defender a opção majoritária, Fortuño foi derrotado nas urnas pelo adversário do Partido Popular Democrático, Alejandro Garcia Padilla, que defende a manutenção da atual relação com os EUA.
"Posso assegurar a vocês que resgatamos Porto Rico", disse Garcia. "Esta é uma lição àqueles que pensam que o bem-estar dos porto-riquenhos deve estar sujeito a ideologias", afirmou o democrata, ao celebrar sua vitória acompanhado de apoiadores na sede de seu partido.
"Agora é hora de nos unirmos como uma só pessoa. A campanha acabou", declarou Fortuño em uma coletiva de imprensa depois de admitir sua derrota. Ele se disse satisfeito com a escolha dos cidadãos, cuja maioria - 61% do eleitorado - se pronunciou a favor da anexação, segundo a Comissão Estatal Eleitoral (CEE). Especialistas, porém, criticaram o sistema de votação, realizado em duas etapas e considerado confuso. Devido a essas peculiaridades, a decisão não seria suficiente para persuadir o Congresso americano a aceitar Porto Rico, segundo os críticos.
O referendo questionou os habitantes da ilha a respeito de sua opinião sobre o futuro das relações com os Estados Unidos, que permanecem imutáveis no território desde 1952. Respondendo à primeira das duas perguntas realizadas na votação, quase 54% (922,374 eleitores) decidiram pela mudança, enquanto 46% (786,749 pessoas) preferiram o status quo, segundo dados disponíveis com 96% dos votos apurados. A segunda questão do referendo perguntava aos porto-riquenhos, caso decidissem pela mudança, se preferiam a anexação aos EUA, uma associação livre - que permitiria mais autonomia - ou a independência.
O democrata Barack Obama, reeleito presidente dos Estados Unidos, expressou apoio ao referendo e prometeu respeitar a vontade do povo de Porto Rico, se houvesse uma decisão soberana. "Esse resultado é um claro 'não' ao status atual", afirmou o comissário Pedro Pierluisi, que representa o território no Congresso americano. Devido à condição atual de território americano, os cidadãos de Porto Rico não têm direito de votar nas eleições presidenciais americanas - ainda que constem como cidadãos americanos.
Com informações da agência AP.