Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Estados Unidos

Com fronteira vigiada, mar é nova rota de ilegais nos EUA

18 jul 2009 - 19h27
(atualizado às 19h31)
Compartilhar

Eles se movem para o norte em frágeis barcos de pesca, frequentemente sobrecarregados e inaptos para o mar, deslizando através da escuridão e escondidos do radar vigilante das patrulhas americanas.

Após patrulha noturna, a embarcação da Guarda Costeira volta para sua base, em San Diego
Após patrulha noturna, a embarcação da Guarda Costeira volta para sua base, em San Diego
Foto: The New York Times

Ao longo das praias ao norte, os imigrantes do México e de outros países se arrastam para a terra firme, em grupos de uma ou duas dúzias, e correm em meio a banhistas estupefatos, às vezes deixando seus barcos, conhecidos como pangas, para trás. Contrabandistas de drogas também utilizam essa rota marítima, incluindo um que no mês passado foi encontrado remando para o norte em uma prancha de surfe com uma mochila cheia de maconha.

À medida que a fronteira terrestre com o México se fecha com novas cercas e tecnologias, as autoridades testemunham um aumento acentuado no número de pessoas e drogas sendo trazidas aos Estados Unidos pelo mar, na costa de San Diego.

Autoridades policiais nos Estados Unidos disseram que a mudança demonstrava a determinação dos contrabandistas em explorar a vastidão do mar, a dificuldade em monitorá-lo, e o desespero de imigrantes dispostos a correr o risco de atravessá-lo.

"É como o excedente de uma represa", disse o comandante Guy Pearce, que supervisiona o esforço anticontrabando para a Guarda Costeira em San Diego.Ao longo de gerações, as pessoas tentaram nadar, surfar e remar, por vezes carregando contrabando, para os Estados Unidos a partir do sul da fronteira.

Mas Pearce e outros oficiais do Departamento de Segurança Nacional dizem que os esforços esporádicos atingiram recentemente níveis sem precedentes: um número duas vezes maior de imigrantes ilegais capturados em barcos ou praias - mais de 300 nos últimos dois anos ¿ e sete vezes mais apreensões marítimas de drogas, especialmente diversos quilos de maconha.

As autoridades observaram que o aumento coincide com a construção praticamente finalizada da nova cerca da fronteira, mais fortificada, incluindo câmeras e luzes adicionais, além de outros equipamentos, ao longo de 22 quilômetros do oceano para o interior.

Novos círculos de contrabando também surgiram, operando a partir de cidades litorâneas ao sul da fronteira e de ilhas próximas à costa mexicana, persuadindo imigrantes de que a travessia é segura, e o oceano grande e aberto demais para os policiais marítimos os capturarem. Uma patrulha recente com a Guarda Costeira mostrou que eles podem estar certos.

Durante toda a noite e pela madrugada, a lancha Petrel da Guarda Costeira percorreu os mares, procurando por barcos suspeitos. Uma pista de que uma embarcação suspeita deveria passar pela costa, perto de 1 da manhã, levou a lancha, com quase todas as suas luzes apagadas para evitar ser descoberta, a procurar sob o fraco brilho da lua crescente. O barco não foi encontrado.

Mais tarde, logo após as 4 da manhã, uma varredura do radar encontrou dois barcos se movendo rapidamente em direção ao sul, impelindo a equipe a parar a música clássica que saía das caixas de som de uma ponte, iluminada somente por monitores de navegação.

Com os motores da lancha rugindo sobre as ondulações por mais de 20 minutos após os barcos terem sido observados pela primeira vez, a tripulação pôde ver que eles estavam viajando em alta velocidade e com as luzes apagadas.

Uma equipe de abordagem foi recrutada com coletes à prova de bala e rifles, e rapidamente saiu da lancha em uma pequena embarcação para checar os barcos, a cerca de 40 km de Point Loma, em San Diego. Era apenas uma pescaria matutina, disseram as pessoas nos barcos, que insistiram não terem percebido que as luzes estavam apagadas. Sem nenhuma evidência de contrabando, elas foram liberadas.

Mas o suboficial-chefe Gary Auslam, que estava no comando dessa vigília, teve suas dúvidas ao ver os barcos partirem rapidamente. Contrabandistas levando armas dos Estados Unidos se movem desse modo ligeiro em direção ao sul, da mesma forma que grupos de contrabandistas que estão retornando.

"Nossa, eles saíram de lá bem rápido, não foi?", disse Auslam, olhando da ponte. A responsabilidade de patrulhar o oceano é principalmente da Guarda Costeira e da Divisão de Alfândega e Proteção de Fronteiras da Segurança Nacional, com um conjunto de lanchas, aeronaves e alguns barcos de alta velocidade.

Ao todo, as autoridades prenderam 136 imigrantes ilegais entrando pelo mar durante o ano fiscal que acabou em 30 de outubro, mais do que o dobro das 66 prisões marinhas de 2007. Desde outubro, mais de 100 imigrantes ilegais foram presos, levando as prisões marinhas de imigrantes ilegais nos dois últimos anos a níveis sem precedentes, disse Michael Carney, o agente de Fiscalização de Imigração e Alfândega em San Diego, que supervisiona uma força-tarefa dedicada a combater o contrabando por vias marítimas.

A apreensão de drogas, principalmente maconha, também aumentou. No ano fiscal que acabou em outubro, as autoridades apreenderam mais de 2.850 quilos de maconha nas águas costeiras ao norte da fronteira, um aumento de sete vezes em relação aos 410 quilos confiscados em 2007. Neste ano fiscal, mais de 2.760 quilos já foram encontrados.

"É uma tendência alarmante", disse Carney. "Isso abriu nossos olhos. Ainda precisamos aprender muito sobre como essas organizações operam". O Departamento de Segurança Nacional está respondendo a esse levante com pedidos de mais barcos e equipamento, mas os oficiais não forneceram detalhes, citando preocupações com a segurança.

No geral, o fluxo de imigrantes para o norte diminuiu com o enfraquecimento da economia e o reforço de patrulhas e cercas dos Estados Unidos. Mas as pessoas ainda fazem o trajeto e o desejo por drogas mantém os contrabandistas ocupados.

Victor Clark Alfaro, diretor do Centro Binacional para Direitos Humanos em Tijuana, no México, e palestrante da Universidade de San Diego, que estudou o contrabando, disse duvidar que a cerca estivesse causando o aumento. Em vez disso, afirmou Clark Alfaro, "uma nova geração" de contrabandistas simplesmente teve sucesso em transportar pessoas pelo mar, e em encorajar imigrantes a seguir seu caminho.

O custo é de mais de US$ 4 mil, aproximadamente o dobro do que um pollero, ou guia de contrabando, cobraria para levar alguém por terra, ele conta. Da mesma forma, contrabandistas de maconha descobriram a rota marítima.

"É sempre uma luta entre a tecnologia e a esperteza dos contrabandistas", disse Clark Alfaro.

Oficiais da Guarda Costeira disseram não saber de nenhum barco afundado, mas estavam preocupados com essa possibilidade. Em março, eles capturaram um barco de cerca de oito metros com 22 pessoas a bordo, algumas agarradas às bordas.

Às vezes o maior adversário, entretanto, é a escuridão.

O suboficial de primeira classe Pablo Mendoza pegou binóculos de visão noturna para mapear o horizonte. Quando sugeriram que aquele equipamento poderia oferecer uma vantagem, Mendoza respondeu: "é, o problema é que eles também têm. Eles nos veem antes de conseguirmos vê-los".

Membros da tripulação disseram não acreditar que a Guarda ou a Alfândega e Proteção de Fronteiras tivessem barcos rápidos o suficiente para alcançar os barcos suspeitos de contrabando a tempo, apesar de as agências, bem como a Marinha e policiais civis estarem se esforçando para coordenar suas patrulhas.

No fim, disse o suboficial de primeira classe Jason Tessier, outro supervisor no Petrel, "é uma questão de estar no lugar certo na hora certa".

The New York Times
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra