Estados Unidos pressionam Líbano a desarmar Hezbollah
A enviada dos Estados Unidos ao Líbano, Morgan Ortagus, disse nesta terça-feira (26) em Beirute que está na hora de as autoridades libanesas colocarem em prática a decisão de desarmar o Hezbollah. O país aprovou um plano de desarmamento no início de agosto, mas tem encontrado grande resistência por parte do líder do grupo, Naim Qassem.
A enviada dos Estados Unidos ao Líbano, Morgan Ortagus, disse nesta terça-feira (26) em Beirute que está na hora de as autoridades libanesas colocarem em prática a decisão de desarmar o Hezbollah. O país aprovou um plano de desarmamento no início de agosto, mas tem encontrado grande resistência por parte do líder do grupo, Naim Qassem.
"Todos nós fomos ficamos muito animados com a decisão histórica deste governo há algumas semanas; agora, não se trata apenas de palavras, e sim de ação", afirmou Ortagus.
As declarações de Morgan Ortagus foram feitas após uma reunião entre uma delegação norte-americana e o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira (25) que estava pronto para uma retirada gradual das tropas de Israel do Líbano, caso o governo executasse o plano de desarmar o Hezbollah.
A declaração de Netanyahu foi endossada pela enviada dos Estados Unidos.
"Israel está pronto para avançar passo a passo com este governo. Portanto, a cada passo que o governo libanês der, incentivaremos o governo israelense a fazer o mesmo", garantiu Morgan Ortagus.
O Exército de Israel mantém suas tropas em cinco posições consideradas estratégicas na fronteira com o Líbano. A força israelense também realiza ataques regulares contra depósitos de armas e lideranças do Hezbollah.
Hezbollah se mantém armado
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou na segunda-feira (25) que seu grupo se recusa a entregar armas.
"Não entregaremos as armas que nos protegem do inimigo. Não entregaremos as armas que nos orgulharam", declarou Naim Qassem em um discurso televisionado. "Tirá-las de nós é como se estivessem tentando tirar nossas almas", completou.
O Hezbollah é a única facção autorizada a manter suas armas após a guerra civil libanesa (1975-1990).
No dia 21 deste mês, o governo libanês teria iniciado o desarmamento em campos de refugiados palestinos localizados em seu território. A operação envolveu o Fatah, movimento do líder palestino Mahmoud Abbas. Na ocasião, o desarmamento teria sido iniciado pelo campo de Bourj el-Brajne.
Pressão e ultimato
O enviado dos Estados Unidos, Tom Barrack, que também integra a delegação que se reuniu nesta terça-feira com o presidente do Líbano, enfatizou que o Exército e o governo libaneses deveriam apresentar um plano concreto até o fim de semana para o desarmamento, uma vez que o grupo xiita tem se recusado sistematicamente a acatar as determinações libanesas.
"As autoridades israelenses estão esperando para ver qual é o plano para realmente desarmar o Hezbollah", finalizou Barrack.
Essa exigência faz parte do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que encerrou mais de um ano de conflito entre o Hezbollah e Israel no dia 27 de novembro de 2024.
Força de paz da ONU continua no sul do Líbano
Após a reunião com o presidente libanês Joseph Aoun, Tom Barrack confirmou que os Estados Unidos irão aprovar a extensão de um ano do mandato da força de paz da ONU no sul do Líbano. O atual mandato vai expirar no último dia de agosto.
"A prorrogação será de um ano", revelou Barrack.
O anúncio foi feito um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter dado continuidade às discussões sobre o futuro da força de paz da ONU no sul do Líbano (Unifil).
"Zona Econômica Trump"
Tom Barrack foi questionado sobre o plano dos Estados Unidos de criar uma "Zona Econômica Trump" no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel. O enviado norte-americano apontou a possibilidade com a justificativa de "remover o controle iraniano".
"Quando dizemos desarmar o Hezbollah, temos de lembrar que há cerca de 40 mil pessoas financiadas pelo Irã para lutar. O que faremos com elas?", argumentou Barrack. "Temos de ajudá-las. E a maneira de fazermos isso é dizer que nós vamos agir juntos para criar um fórum econômico que forneça meios alternativos de subsistência", acrescentou.
O site americano Axios afirmou que a Arábia Saudita e o Catar concordam em investir na região, mas somente após a retirada israelense. A intenção dos dois países é limitar o retorno do Hezbollah à região.
(Com AFP)