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Estados Unidos pressionam Líbano a desarmar Hezbollah

A enviada dos Estados Unidos ao Líbano, Morgan Ortagus, disse nesta terça-feira (26) em Beirute que está na hora de as autoridades libanesas colocarem em prática a decisão de desarmar o Hezbollah. O país aprovou um plano de desarmamento no início de agosto, mas tem encontrado grande resistência por parte do líder do grupo, Naim Qassem.

26 ago 2025 - 11h15
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A enviada dos Estados Unidos ao Líbano, Morgan Ortagus, disse nesta terça-feira (26) em Beirute que está na hora de as autoridades libanesas colocarem em prática a decisão de desarmar o Hezbollah. O país aprovou um plano de desarmamento no início de agosto, mas tem encontrado grande resistência por parte do líder do grupo, Naim Qassem.

Veículo blindado de transporte de pessoal atrás de bandeiras do Líbano e do Hezbollah na aldeia de Aita al-Shaab, no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel, em 27 de janeiro de 2025.
Veículo blindado de transporte de pessoal atrás de bandeiras do Líbano e do Hezbollah na aldeia de Aita al-Shaab, no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel, em 27 de janeiro de 2025.
Foto: AFP - MAHMOUD ZAYYAT / RFI

"Todos nós fomos ficamos muito animados com a decisão histórica deste governo há algumas semanas; agora, não se trata apenas de palavras, e sim de ação", afirmou Ortagus.

As declarações de Morgan Ortagus foram feitas após uma reunião entre uma delegação norte-americana e o presidente do Líbano, Joseph Aoun.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira (25) que estava pronto para uma retirada gradual das tropas de Israel do Líbano, caso o governo executasse o plano de desarmar o Hezbollah.

A declaração de Netanyahu foi endossada pela enviada dos Estados Unidos.

"Israel está pronto para avançar passo a passo com este governo. Portanto, a cada passo que o governo libanês der, incentivaremos o governo israelense a fazer o mesmo", garantiu Morgan Ortagus.

O Exército de Israel mantém suas tropas em cinco posições consideradas estratégicas na fronteira com o Líbano. A força israelense também realiza ataques regulares contra depósitos de armas e lideranças do Hezbollah.

Hezbollah se mantém armado

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou na segunda-feira (25) que seu grupo se recusa a entregar armas.

"Não entregaremos as armas que nos protegem do inimigo. Não entregaremos as armas que nos orgulharam", declarou Naim Qassem em um discurso televisionado. "Tirá-las de nós é como se estivessem tentando tirar nossas almas", completou.

O Hezbollah é a única facção autorizada a manter suas armas após a guerra civil libanesa (1975-1990).

No dia 21 deste mês, o governo libanês teria iniciado o desarmamento em campos de refugiados palestinos localizados em seu território. A operação envolveu o Fatah, movimento do líder palestino Mahmoud Abbas. Na ocasião, o desarmamento teria sido iniciado pelo campo de Bourj el-Brajne.

Pressão e ultimato

O enviado dos Estados Unidos, Tom Barrack, que também integra a delegação que se reuniu nesta terça-feira com o presidente do Líbano, enfatizou que o Exército e o governo libaneses deveriam apresentar um plano concreto até o fim de semana para o desarmamento, uma vez que o grupo xiita tem se recusado sistematicamente a acatar as determinações libanesas.

"As autoridades israelenses estão esperando para ver qual é o plano para realmente desarmar o Hezbollah", finalizou Barrack.

Essa exigência faz parte do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que encerrou mais de um ano de conflito entre o Hezbollah e Israel no dia 27 de novembro de 2024.

Força de paz da ONU continua no sul do Líbano

Após a reunião com o presidente libanês Joseph Aoun, Tom Barrack confirmou que os Estados Unidos irão aprovar a extensão de um ano do mandato da força de paz da ONU no sul do Líbano. O atual mandato vai expirar no último dia de agosto.

"A prorrogação será de um ano", revelou Barrack.

O anúncio foi feito um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter dado continuidade às discussões sobre o futuro da força de paz da ONU no sul do Líbano (Unifil).

"Zona Econômica Trump"

Tom Barrack foi questionado sobre o plano dos Estados Unidos de criar uma "Zona Econômica Trump" no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel. O enviado norte-americano apontou a possibilidade com a justificativa de "remover o controle iraniano".

"Quando dizemos desarmar o Hezbollah, temos de lembrar que há cerca de 40 mil pessoas financiadas pelo Irã para lutar. O que faremos com elas?", argumentou Barrack. "Temos de ajudá-las. E a maneira de fazermos isso é dizer que nós vamos agir juntos para criar um fórum econômico que forneça meios alternativos de subsistência", acrescentou.

O site americano Axios afirmou que a Arábia Saudita e o Catar concordam em investir na região, mas somente após a retirada israelense. A intenção dos dois países é limitar o retorno do Hezbollah à região.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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