Em reunião tensa com Macron após fazer novas ameaças, Trump desdenha oferta de apoio de europeus
Horas depois de Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo para o fim da guerra, a expectativa é alta para a reunião de cúpula do G7 na França. O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou à cidade de Évian para o início do evento, no fim da tarde desta segunda-feira (15). O chefe da Casa Branca juntou-se aos demais líderes dos sete países industrializados do grupo (França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá) e outros cinco convidados (Brasil, Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito).
Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian
Confiante por ter concluído a negociação com o Irã, depois de semanas de impasse, Trump não hesitou em desdenhar do apoio militar oferecido pelos europeus para garantir a reabertura completa do Estreito de Ormuz. Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, o líder americano disse que "não acha que precisaremos de muita ajuda, porque já assinamos um acordo. Mas não acho que seja uma má ideia, ter um navio ou dois de alguns países. Nunca se sabe", completou.
Mais cedo, Macron havia proposto uma missão internacional, sob o comando de Londres e Paris, para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz "de forma pacífica e duradoura", com o porta-aviões Charles-de-Gaulle, aviões de caça e uma fragata. Na reunião com Trump, o presidente francês reiterou a oferta. "Talvez não seja desejado, talvez não seja necessário, mas em todo o caso, é uma disposição nossa em ajudar", afirmou o líder francês, antes que um frio aperto de mãos entre os dois encerrasse o encontro bilateral, diante das câmeras.
Conflito na agenda do G7
Desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, Trump critica os aliados ocidentais e a Otan por não terem apoiado as operações militares no Oriente Médio. O presidente prometeu que o Estreito de Ormuz será "totalmente reaberto" na sexta-feira (19), conforme os termos do acordo firmado com o Irã na noite deste domingo (14).
O encerramento da guerra contra o Irã e as garantias de segurança para a retomada do tráfego de petroleiros na região, cujo bloqueio fez os preços dos combustíveis dispararem no mundo, é um dos principais tópicos de discussão entre os países do G7.
Embora o texto do acordo ainda não tenha sido divulgado, espera-se que Trump apresente seus pontos principais no jantar de abertura na noite de segunda-feira com os líderes dos outros membros do G7, e volte a abordar o assunto em um almoço nesta terça-feira, com a presença dos líderes do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.
Nova ameaça aos vinhos franceses
Paris já antecipava um encontro difícil com o líder americano. Horas antes de chegar a Évian, Trump voltou ameaçar a anfitriã do evento com um aumento de "100%" das tarifas de importação dos vinhos franceses, caso o país não suspenda o imposto sobre os lucros de empresas de tecnologia, incluindo Apple, Google e Meta. "Não terei outra alternativa", argumentou.
A ameaça provocou uma resposta firme de Macron. "Não vou ceder porque não é assim que funciona", reagiu, em uma entrevista à emissora francesa TF1. "Este imposto digital foi decidido pelos europeus, diversos países já o implementaram e faz parte do nosso sistema jurídico. Não são os Estados Unidos que decidem o que é certo para os europeus, ou para os franceses", continuou. "Teremos uma discussão respeitosa, mas firme. Vamos resolver de maneira respeitosa."
No momento em que Trump chegou ao luxuoso Hotel Royal, onde acontece a cúpula do G7, o presidente francês reunia-se com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Os detalhes do encontro ainda não foram revelados.
Participação de Lula
A agenda da cúpula com a participação dos cinco países convidados, entre eles o Brasil, se inicia apenas nesta terça-feira (16) à tarde. Nos próximos dois dias, o presidente brasileiro pretende aproveitar a presença em Évian para realizar reuniões bilaterais, em especial com Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen. Por enquanto, o único encontro confirmado é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, além do próprio Macron.
Outro tópico de destaque nesta terça-feira será o conflito na Ucrânia. A expectativa dos europeus é que, uma vez que o desfecho da guerra no Irã esteja encaminhado, o líder americano volte a demonstrar interesse pelo fim do confronto entre Moscou e Kiev.
Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que mantêm uma relação tensa, voltarão a se reunir em Évian. "Acredito que talvez possamos fazer algo. Eu realmente acredito nisso. Ambos estão abertos a isso", disse Trump.
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