Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Dono de bar incendiado na Suíça acusa ex-proprietário em interrogatório

Le Constellation passou por reformas antes de casal Moretti adquiri-lo

2 nov 2026 - 12h28
(atualizado às 12h53)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Jacques Moretti, coproprietário da boate Le Constellation na Suíça, acusou o ex-dono Julien Beytrison de ter pleno conhecimento das reformas de 2015, onde foram instaladas espumas acústicas. O incêndio no Ano Novo deixou 41 mortos e 115 feridos. Moretti, que já está preso por violência doméstica e é investigado por lavagem de dinheiro, supervisionou as obras, mas alegou que a gestão administrativa era de Beytrison. Parentes das vítimas acompanharam o depoimento e apontam negligência no caso.

O empresário francês Jacques Moretti, um dos proprietários da casa noturna suíça Le Constellation, palco de um devastador incêndio que matou dezenas de pessoas no Ano Novo em Crans-Montana, acusou nesta segunda-feira (2) o ex-dono do estabelecimento Julien Beytrison durante interrogatório em Sion a respeito da reforma realizada no imóvel em 2015.

Laetitia Brodard-Sitre, mãe de vítima, disse que incêndio não foi 'tragédia'
Laetitia Brodard-Sitre, mãe de vítima, disse que incêndio não foi 'tragédia'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo o investigado, Beytrison "sabia tudo" sobre as obras no Constellation, seja no subsolo, onde foram instaladas espumas para isolamento acústico, seja na área para fumantes.

"Beytrison sabia; ele chegou a ser convidado para a inauguração do novo Constellation e costumava frequentar o local com sua família", reiterou Moretti, contestando as declarações feitas em julho por Beytrison, que alegou ter tido "pouquíssimas informações técnicas e financeiras" a respeito das reformas realizadas em 2015, sob sua gestão.

Moretti e sua esposa Jessica - também investigada pelo incêndio - só adquiriram formalmente o imóvel em 2022, por 1,5 milhão de francos suíços (R$ 9,9 milhões).

Em seu depoimento, o suspeito lembrou que, embora tenha supervisionado pessoalmente os trabalhos de reforma, não cuidou dos aspectos administrativos.

"À época da obra, eu não era nem proprietário nem locatário do imóvel; a relação contratual só teria início posteriormente", disse Moretti, frisando que Beytrison havia encarregado um profissional de Crans-Montana para tratar das questões burocráticas.

Sobre a reforma, "como não houve mudança na finalidade de uso do imóvel, nem alterações em seu volume, não foram necessárias autorizações específicas", disse ainda o empresário.

Muitos familiares das vítimas e alguns dos feridos assistiram ao interrogatório de Moretti em Sion nesta segunda.

"Não foi uma tragédia, mas um homicídio por negligência; não há outra forma de definir", afirmou Laetitia Brodard-Sitre, mãe de Arthur, jovem suíço que morreu no incêndio na virada do ano.

"'Tragédia' remete a um desastre natural, um evento inesperado; mas o que ocorreu poderia ter sido previsto", reforçou Brodard-Sitre.

O casal Moretti é o principal suspeito pelo incêndio no bar que matou 41 pessoas e deixou 115 feridas.

Moretti, que cumpre prisão preventiva em Sion sob acusação de violência doméstica contra Jessica, prestou o depoimento sozinho. O Ministério Público de Valais desistiu de confrontar o casal após o episódio; sendo assim, a mulher será ouvida em outra audiência.

O empresário também é suspeito de lavagem de dinheiro na Suíça. Um relatório do Escritório Federal de Polícia do país (Fedpol) apontou movimentações "anômalas" e "transações opacas" em suas contas bancárias. 

Ansa - Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra