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Fábricas de vestuário em Bangladesh fecham novamente conforme protestos por aumentos salariais se tornam violentos

2 nov 2026 - 13h20
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Resumo
Confrontos violentos entre a polícia e trabalhadores têxteis paralisaram quase 700 fábricas em Bangladesh. A categoria exige aumento do piso salarial mensal de 12.500 para 30.000 takas contra a inflação, resultando em bloqueios de vias e depredações. Segundo maior exportador global de vestuário e polo de grandes marcas, o país vê suas remessas ameaçadas em um ciclo crucial de produção, o que levou o governo a criar um comitê para mediar a crise com os trabalhadores.

As fábricas de ‌vestuário de Bangladesh retomaram brevemente as operações nesta segunda-feira, após uma paralisação generalizada ocorrida no dia anterior, mas novos confrontos entre trabalhadores e a polícia forçaram centenas de fábricas a suspender a produção novamente.

A agitação gerou preocupações quanto a atrasos nas remessas e ⁠à confiança dos compradores em Bangladesh, um importante fornecedor de ‌marcas como H&M, Zara, Walmart e Primark, em um momento crítico do ciclo de produção para os pedidos de exportação da ‌primavera e do verão.

Trabalhadores que exigiam ‌um salário mínimo mensal de 30.000 takas (US$ 243), um ⁠aumento em relação aos atuais 12.500 takas, bloquearam estradas, vandalizaram fábricas e entraram em confronto com a polícia nos principais distritos industriais, levando 679 fábricas a interromper a produção.

Bangladesh é o segundo maior exportador mundial de vestuário, atrás apenas da China, e o ‌setor de confecções é responsável por mais de 80% das receitas ‌de exportação do ⁠país do sul ⁠da Ásia. Ele emprega cerca de 4 milhões de trabalhadores e representa ⁠aproximadamente 10% da produção econômica.

Em ‌uma tentativa de amenizar ‌a crise, o governo formou, no domingo, uma comissão salarial composta por seis membros para analisar as reivindicações dos trabalhadores, que ganharam força em meio à inflação persistente e ao ⁠aumento do custo de vida.

A VIOLÊNCIA CONTINUA

A polícia informou ter usado gás lacrimogêneo para dispersar trabalhadores do setor têxtil que tentavam bloquear estradas em Daca, depois que manifestantes atiraram tijolos e pedras contra os policiais. Também ‌foram registrados distúrbios em Ashulia e Gazipur, dois centros industriais nos arredores da capital.

Autoridades policiais e do setor afirmaram que os ⁠manifestantes incendiaram um veículo da polícia e vandalizaram várias fábricas.

Os confrontos se seguiram aos protestos e fechamentos de fábricas ocorridos no domingo, com os trabalhadores continuando a exigir salários mais altos e a resolução de reclamações trabalhistas.

"Bangladesh tem um dos salários mais baixos do mundo no setor têxtil", afirmou Babul Akhter, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Têxteis e Industriais de Bangladesh e representante dos trabalhadores no conselho salarial.

"Se os proprietários das fábricas não conseguem pagar adequadamente aos trabalhadores, devem negociar melhores preços com os compradores internacionais. Não podem construir um negócio às custas de trabalhadores mal remunerados."

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