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Fim da trégua é seguido por ataques russos e denúncias de ciberataques na Ucrânia

Rússia e Ucrânia denunciaram nesta segunda-feira (2) ataques cibernéticos contra seus sistemas oficiais de alerta à população, poucas horas depois do fim de uma trégua de seis dias que também foi seguida pela retomada dos bombardeios russos à cidade ucraniana de Kherson, no sul. O cessar-fogo foi a mais longa pausa nos combates entre os dois países desde o início da invasão russa, em 2022.

2 nov 2026 - 13h32
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Resumo
Após o fim de uma trégua que viabilizou ajuda humanitária em Olechky, a Rússia retomou ataques com drones em Kherson e rejeitou prolongar o cessar-fogo. Paralelamente, ambos os países denunciaram invasões cibernéticas em seus aplicativos de alerta à população, que emitiram avisos falsos de ameaças químicas e nucleares. Enquanto os combates se intensificam, negociações mediadas pelos EUA devem recomeçar este mês em Abu Dhabi, sob temores ucranianos de alinhamento de Washington com Moscou.

Segundo as autoridades ucranianas, um drone russo atingiu na manhã desta segunda-feira uma unidade de saúde no centro de Kherson. Mais tarde, outro drone atingiu os arredores da cidade e feriu uma mulher de 62 anos e um homem de 73.

A trégua havia começado na última terça-feira (27) e terminou no domingo (1°), sem que Rússia ou Ucrânia relatassem violações. O acordo, negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, permitiu a realização de uma missão humanitária na cidade de Olechky, ocupada pela Rússia, e a retirada de centenas de pessoas que estavam isoladas na região.

A operação foi considerada pelo Kremlin um sucesso e representou um dos momentos mais significativos de cooperação entre russos e ucranianos desde o início da guerra. Representantes dos dois países, responsáveis pelas áreas de direitos humanos, estiveram em Olechky para distribuir ajuda e organizar a retirada de civis. Parte das pessoas foi levada para áreas controladas pela Ucrânia e outra parte para a Crimeia, anexada pela Rússia.

O Kremlin afirmou que não há, "no momento", planos para novas operações semelhantes.

Trégua não será prolongada

Um alto funcionário ucraniano disse à AFP que a Rússia recusou uma proposta de Kiev para prolongar o cessar-fogo. O Exército ucraniano também acusou Moscou de ter aproveitado a pausa para reforçar suas posições no campo de batalha.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não negou a acusação. Segundo ele, trata-se de uma prática "completamente normal" em situações como essa. Peskov afirmou ainda que a Ucrânia também já teria aproveitado pausas anteriores para reorganizar suas forças.

O chefe da administração militar da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, havia pedido aos moradores que permanecessem especialmente atentos depois do fim da trégua.

Negociações devem ser retomadas

As negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, devem ser retomadas neste mês, provavelmente em Abu Dhabi. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado por um acordo para encerrar a guerra, mas as tentativas ainda não produziram um avanço significativo e foram parcialmente deixadas de lado em razão do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Kiev e seus aliados europeus estão preocupados com a percepção de que Trump tenha se aproximado cada vez mais das posições de Moscou.

No campo de batalha, a Rússia intensificou seus ataques neste ano, utilizando mísseis balísticos e drones de alta velocidade movidos a jato, considerados difíceis de interceptar.

Aplicativos de alerta são alvo de ataques cibernéticos

A Ucrânia informou que seu aplicativo de alerta contra ataques aéreos havia sido comprometido. Milhões de pessoas receberam falsos alertas sobre uma ameaça de radiação. O sistema é usado para informar a população sobre a aproximação de drones e mísseis russos e se tornou uma ferramenta essencial para a vida cotidiana durante a guerra.

O Centro Ucraniano de Comunicações Estratégicas atribuiu o ataque à Rússia. Entre as mensagens falsas divulgadas pelo aplicativo estava uma referência ao Oreshnik, um míssil russo, além de alertas sobre radiação nuclear e ameaças químicas.

A Rússia também informou que seu aplicativo do Ministério das Situações de Emergência, usado para alertar sobre ataques e outros riscos, havia sido invadido. Segundo o governo, os responsáveis conseguiram divulgar informações falsas à população.

O aplicativo russo, no entanto, é menos utilizado. Alertas sobre ataques de drones ucranianos são menos frequentes na Rússia e, principalmente nas regiões próximas à fronteira, costumam ser enviados por mensagens de texto.

A troca de ataques cibernéticos ocorre no momento em que a guerra está a poucos meses de completar cinco anos, com centenas de milhares de mortos e milhões de pessoas deslocadas desde a invasão russa em fevereiro de 2022.

Com AFP

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