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Mauro Vieira e Marco Rubio se encontram nos EUA e marcam reunião bilateral antes de cúpula do G-20

Foi o primeiro encontro entre representantes dos dois países após a eleição do dia 25; o governo americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula

31 out 2026 - 09h53
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Resumo
O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acertaram uma reunião bilateral antes da cúpula do G-20, em meio a tensões diplomáticas. Donald Trump não reconheceu a reeleição de Lula e insinuou fraudes na disputa contra Flávio Bolsonaro. Derrotado, o filho do ex-presidente fugiu para os EUA após ordem do STF para reter seu passaporte. A ida gerou reação de congressistas democratas, que exigem explicações sobre a suposta ajuda do governo americano na fuga do político.

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou brevemente na noite desta sexta-feira, 30, com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Atlanta, na Geórgia, segundo pessoas próximas ao assunto. O encontro se deu durante coquetel oferecido no aquário da cidade pelo anfitrião a chanceleres do grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20). Os dois se reuniram pela primeira vez após o resultado do segundo turno das eleições no Brasil, no último dia 25.

Mauro Vieira e Marco Rubio interagem durante fotografia oficial dos chanceleres na reunião do G-7, na França
Mauro Vieira e Marco Rubio interagem durante fotografia oficial dos chanceleres na reunião do G-7, na França
Foto: Reprodução/Ministério das Relações Exteriores/@ItamaratyGovBr / Estadão

O Estadão/Broadcast apurou que os dois acertaram um novo encontro antes da cúpula do G-20, quando os líderes dos países se reúnem, marcada para ocorrer em meados de dezembro, na Flórida. A intenção seria a de repassar a agenda bilateral dos países. A data e o local desse encontro no fim do ano ainda serão definidos.

No encontro de ontem à noite, os dois não trataram de questões específicas, segundo as pessoas ouvidas pela reportagem. Esse compromisso de sexta-feira fez parte do cronograma do G-20 e ocorreu em meio à renovação da tensão diplomática com o presidente dos EUA, Donald Trump. O americano se recusou até o momento a reconhecer o resultado das eleições brasileiras, que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o seu aliado, Flávio Bolsonaro (PL).

Nos últimos dias, Trump insinuou várias vezes que houve fraude no pleito brasileiro, ainda que não tivesse apresentado provas em nenhum momento. O americano chegou a evitar responder a jornalistas quem tinha vencido as eleições no Brasil. Ele disse que, a pedido do presidente Lula, não teria tomado partido nas eleições brasileiras e que pretende conversar com o chefe do Executivo do País.

Após a derrota nas urnas, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com a família, usando a Argentina - governada por outro aliado, Javier Milei - de ponto de partida para chegar aos Estados Unidos em um avião particular de luxo. A decisão de fugir se deu após a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o filho de Jair Bolsonaro teria de entregar seus passaportes à Justiça, o que não ocorreu.

O Departamento de Estado americano concedeu uma autorização para que Flávio e família permaneçam no país por um ano.

Reação no Congresso americano

A posição do governo Trump, porém, provocou reações no Congresso americano. Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata enviou uma carta ao Departamento de Estado americano, do secretário Marco Rubio, cobrando esclarecimentos sobre a possível colaboração do governo na fuga de Flávio Bolsonaro.

O documento foi enviado na quinta-feira, 29. Entre os deputados que assinaram a carta há integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Congresso dos EUA. O pedido de explicações ocorreu após o jornal The New York Times revelar que o jatinho que levou Flávio Bolsonaro da Argentina aos Estados Unidos foi providenciado por Jason Miller, um dos principais conselheiros do presidente americano.

A intenção dos deputados é esclarecer se o Departamento de Estado tinha conhecimento sobre o plano de fuga e se, de algum modo, teve envolvimento com a trama. Além disso, pedem explicações sobre a concessão dos vistos que permitiram a entrada de Flávio território americano mesmo após o cancelamento dos passaportes do candidato derrotado.

Estadão
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