Crise habitacional leva milhares às ruas em Portugal; entenda o protesto
Manifestantes contestam alta dos aluguéis, mudanças nas regras de despejo e atuação policial contra ativistas
Milhares de manifestantes protestaram em Lisboa contra a crise habitacional e a repressão policial a ativistas. O ato denunciou a disparada dos aluguéis e imóveis frente à estagnação salarial, além de um projeto de lei que agiliza despejos. A mobilização ocorreu durante debates no Parlamento e em meio a inquéritos sobre a violência policial em desocupações recentes, cuja conduta foi defendida pelo primeiro-ministro Luis Montenegro.
A crise habitacional em Portugal levou milhares de pessoas às ruas de Lisboa nesta terça-feira (28). Em frente ao Parlamento, os manifestantes cobraram medidas para aumentar o acesso à moradia e também criticaram mudanças nas regras de aluguel, além da atuação recente da polícia contra ativistas.
A mobilização ocorreu no mesmo dia em que os deputados discutiam a proposta de orçamento do governo para 2027. Segundo a 'Reuters', os organizadores estimaram a presença de milhares de pessoas, mas as autoridades policiais não divulgaram um número oficial.
#PORTUGAL | 🔴Miles de manifestantes se congregaron frente al Parlamento en Lisboa para exigir la dimisión del primer ministro Luis Montenegro en rechazo a la grave crisis de la vivienda y a los recientes operativos policiales contra activistas sociales.
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— teleSUR TV (@teleSURtv) October 28, 2026
Portugal enfrenta pressão crescente sobre a moradia
O custo para morar no país aumentou de forma expressiva nos últimos anos. Desde 2017, os preços dos imóveis mais do que dobraram, enquanto os valores cobrados em novos contratos de aluguel quase duplicaram. Esse avanço, contudo, não foi acompanhado pelo crescimento dos salários, o que dificultou o acesso à habitação, principalmente entre os mais jovens.
Outro ponto de insatisfação é um projeto de lei que prevê maior rapidez nos processos de despejo e o fim dos limites de aluguel em novos contratos. A proposta já avançou em primeira votação no Parlamento, com a abstenção do partido Chega.
Operações policiais também motivaram a manifestação
O clima de insatisfação aumentou depois das ações realizadas no domingo para desmontar acampamentos erguidos por ativistas em Lisboa e no Porto. A polícia informou que 11 pessoas sofreram ferimentos leves, entre elas três agentes. Já o grupo Casa para Viver afirmou que cerca de 60 pessoas ficaram feridas.
As denúncias sobre a atuação dos agentes levaram a Autoridade Portuguesa para os Assuntos Internos a abrir um inquérito. O Ministério Público também iniciou uma investigação separada. Em entrevista à agência, manifestantes destacaram que a mobilização envolve ainda "o direito de protestar, que tem sido seriamente ameaçado nos últimos dias".
Primeiro-ministro defende atuação dos agentes
Durante discurso no Parlamento, segundo informações da 'Reuters', o primeiro-ministro Luis Montenegro afirmou que a polícia atuou dentro dos princípios de "necessidade, proporcionalidade e adequação".
As manifestações portuguesas ocorrem em um contexto mais amplo de pressão sobre a habitação em diferentes países europeus. A escassez de imóveis e a alta dos aluguéis também têm levado moradores às ruas em outras partes do continente.
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