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Coronavírus: Maior estudo feito sobre doença aponta que menos de 5% dos casos são graves

Dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China (CCDC, na sigla em inglês) apontam que mais de 80% dos casos analisados são brandos, e que os grupos de riscos envolvem, por exemplo, pessoas com doenças pré-existentes e mais velhas. Nenhuma criança até nove anos morreu.

18 fev 2020
07h14
atualizado às 08h07
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Autoridades de saúde da China publicaram as primeiras informações mais detalhadas sobre mais de 70 mil casos confirmados e suspeitos do novo coronavírus (Covid-19), no maior estudo já feito sobre a doença desde o início do surto, em dezembro.

Enfermeiras em quarto que será usado para pacientes em quarentena em Xangai
17/02/2020 Noel Celis/Pool via REUTERS
Enfermeiras em quarto que será usado para pacientes em quarentena em Xangai 17/02/2020 Noel Celis/Pool via REUTERS
Foto: Reuters

Dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China (CCDC, na sigla em inglês) apontam que mais de 80% dos casos analisados são brandos, e que os grupos de riscos envolvem, por exemplo, pessoas com doenças pré-existentes e mais velhas.

A província mais afetada do país é Hubei, cuja capital é Wuhan. Segundo o CCDC, a taxa de mortalidade da doença naquela região é de 2,9%, ou seja, ela mata quase 3 em cada 100 infectados. No restante do país, a taxa registada foi de 0,4%.

De todo modo, o amplo estudo identificou uma taxa geral de mortalidade em torno de 2,3%.

Veja as principais conclusões:

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (17) no Chinese Journal of Epidemiology, analisou 72.314 casos de Covid-19 ao redor da China até 11 de fevereiro, incluindo confirmados, suspeitos e assintomáticos (sem sintomas).

No dia 13/2, a China passou a levar em conta confirmações por meio de tomografia computadorizada e análise clínica dos sintomas (como febre e falta de ar), e não apenas análise genética da secreção respiratória.

De todo modo, o artigo inclui informações detalhadas sobre 44.672 casos confirmados na China até o dia 11, que confirmam informações apontadas por estudos preliminares divulgados anteriormente.

A pesquisa também aponta um alto risco para profissionais de saúde. Nesta terça-feira (17), morreu Liu Zhiming, 51, diretor de um dos hospitais da linha de frente do combate ao coronavírus na cidade de Wuhan, epicentro do surto.

Segundo o estudo, ao menos 3.019 profissionais de saúde foram infectados (sendo 1.716 com diagnóstico confirmado por laboratório) e 5 deles morreram.

Laboratórios particulares já estão oferecendo testes para detecção do novo coronavírus
Laboratórios particulares já estão oferecendo testes para detecção do novo coronavírus
Foto: Grupo Fleury/Divulgação / Estadão Conteúdo

Que projeções são possíveis a partir desse estudo?

Os dados oficiais mais recentes da China, divulgados nesta terça-feira (18), apontam 1.868 mortes e 72.436 infecções. Em relação ao dia anterior, foram 98 mortes e 1.886 novos casos.

Olhando para frente, o estudo aponta que a "curva epidêmica do início dos sintomas" teve um pico entre 23 e 26 de janeiro, antes de cair até o dia 11 de fevereiro, última data analisada no estudo.

Os pesquisadores sugerem que a tendência de queda nessa curva pode significar que "o isolamento de cidades inteiras, a divulgação de informações essenciais (como a importância da higiene das mãos, o uso correto de máscaras e a busca por ajuda médica) em alta frequência por meio de diversos canais e a mobilização de equipes multidisciplinares de resposta ágil estão ajudando a conter o surto".

Mas os autores do estudo alertam que, com o eventual retorno de diversas pessoas do recesso, o país "precisa se preparar para um possível efeito rebote do surto".

Uma das principais medidas adotadas pela China foi adotar uma quarentena em torno de Wuhan, cidade com quase 11 milhões de habitantes, e outras localidades atingidas pelo surto, além da paralisação do sistema de transporte público e vetos à circulação de pessoas pelo país.

Crianças usam máscaras de proteção em Hong Kong
14/02/2020 REUTERS/Tyrone Siu
Crianças usam máscaras de proteção em Hong Kong 14/02/2020 REUTERS/Tyrone Siu
Foto: Reuters

O que está acontecendo aos cruzeiros turísticos?

Até agora, foram registrados ao menos 73.335 casos do Covid-19 ao redor do mundo, sendo 897 fora da China continental.

A maioria desses registros ocorreu em um cruzeiro, o Diamond Princess, que está ancorado no Japão sob quarentena há dias. Ao menos 454 pessoas das 3.700 que estavam a bordo foram diagnosticadas com a doença.

Os pacientes, quando identificados, são encaminhados para hospitais da região de Yokohama.

Os Estados Unidos começaram a evacuar seus cidadãos do cruzeiro, e outros países planejam fazer o mesmo, como Canadá, Reino Unido, Israel e Austrália.

Mas outro cruzeiro passou a gerar pânico entre autoridades estrangeiras. O MS Westerdam conseguiu atracar no Camboja na semana passada após ser rejeitado em cinco lugares da Ásia.

O cruzeiro, administrado pela Holland America Line, estava programado para durar duas semanas — e com esses 14 dias chegando ao fim, havia preocupações com suprimentos de combustível e alimentos. Ele havia partido de Hong Kong em 1º de fevereiro com 1.455 passageiros e 802 tripulantes a bordo.

Autoridades do Camboja divulgaram que a embarcação estava livre da doença, e centenas de pessoas desembarcaram e logo seguiram de avião para seus lugares de origem.

Só que um dos passageiros do Westerdam, de cidadania americana, foi parado em um aeroporto da Malásia no sábado e acabou recebendo o diagnóstico positivo.

A corrida agora é para encontrar todos os passageiros e monitorá-los para eventual detecção de sintomas não apenas neles mas também em pessoas com as quais tiveram contato.

"Nós antecipamos brechas, mas eu preciso dizer que não previmos uma dessa magnitude", afirmou William Schaffner, especialista em doenças infecciosas da Universidade Vanderbilt, ao jornal americano The New York Times.

Muitos países já afirmaram que não permitirão a entrada de estrangeiros que estiveram nesse navio, onde ainda estão 255 passageiros e 747 tripulantes. Mais de 400 pessoas aguardam liberação médica em um hotel da capital, Phnom Penh.

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