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Conflito Israel-Hamas: Moradores dizem que os ataques israelenses são os mais pesados ​​desde o início da guerra

Os ataques foram retomados na sexta-feira, após breve cessar-fogo. Ao menos por enquanto, autoridades apontam que não há previsão para nova trégua.

2 dez 2023 - 20h34
(atualizado às 21h02)
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Israel fez ataques aéreos intensos contra a cidade Khan Younis, no sul de Gaza. Os moradores da região descreveram o bombardeio como o mais pesado da guerra.

Os residentes de determinadas áreas da cidade foram orientados por militares israelenses a evacuarem e seguir para outra região.

Israel acredita que alguns líderes do Hamas estão na cidade, onde muitos civis estão abrigados depois de fugirem do norte de Gaza.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, afirma que pelo menos 193 pessoas foram mortas na última onda de ataques israelenses.

Esses ataques foram retomados na sexta-feira (1/12) pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), após um cessar-fogo temporário.

As IDF disseram ter atingido mais de 400 "alvos terroristas" do Hamas na sexta, o primeiro dia da retomada do conflito.

O atual conflito teve início a partir de 7 de outubro, quando um ataque do Hamas matou cerca de 1,2 mil pessoas.

O ministério da saúde administrado pelo Hamas afirma que o número de mortos em Gaza já ultrapassou 15,2 mil pessoas.

Foguetes também têm sido disparados regularmente de Gaza contra Israel desde que os combates recomeçaram, incluindo um direcionado a Tel Aviv e aos arredores do centro de Israel na noite de sábado (2/12).

Após esse ataque, o serviço de ambulância de Israel disse que tratou um homem de 22 anos com "ferimentos leves por estilhaços" na cabeça em Holon - uma cidade ao sul de Tel Aviv.

Num comunicado na noite deste sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu continuar com a operação militar até "atingirmos todos os objetivos" de eliminar o Hamas e garantir a libertação dos reféns.

Ele reconheceu que "uma guerra difícil está à nossa frente".

Khan Younis e a cidade de Rafah, na fronteira com o Egito, foram alguns dos locais atingidos por pesados ataques aéreos nas últimas horas, o que indica que a próxima fase da ofensiva deve se concentrar no sul de Gaza.

Centenas de milhares de palestinos procuraram abrigo nessa área desde o começo da guerra, depois de terem sido instruídos a fugir do norte do território, que era o principal alvo de Israel nas fases iniciais do conflito.

O porta-voz das FDI, em língua árabe, publicou mapas nas redes sociais indicando quais áreas os civis deveriam deixar, orientando as pessoas nas áreas a leste de Khan Younis a evacuarem mais ao sul, para abrigos em Rafah, uma indicação de que uma ofensiva terrestre pode ser iminente.

Os hospitais, que funcionavam com recursos limitados após semanas de combates, ficaram sobrecarregados de vítimas. No Hospital Nasser, em Khan Younis, alguns pacientes foram atendidos no chão.

"Uma noite de horror", disse Samira, mãe de quatro filhos, à agência de notícias Reuters. "Foi uma das piores noites que passamos em Khan Younis nas últimas seis semanas desde que chegamos aqui... Temos tanto medo de que eles entrem em Khan Younis."

O porta-voz da Unicef, James Elder, que esteve em Khan Younis no sábado, disse à BBC que os hospitais já estavam "saturados" de vítimas antes do recomeço dos ataques.

"Há literalmente sangue nos corredores, há mães mais uma vez segurando bebês que parecem ter sido mortos", disse ele.

A instituição Crescente Vermelho Palestino confirmou que 100 caminhões com ajuda foram autorizados a entrar em Gaza vindos do Egito no sábado. Na sexta-feira, nenhum material humanitário havia sido entregue ao território.

As negociações para chegar a um acordo para outro cessar-fogo temporário e para garantir a libertação das pessoas sequestradas em 7 de Outubro que permanecem em Gaza fracassaram neste sábado.

Uma autoridade palestina disse à BBC que as negociações estavam completamente paralisadas, sem contatos ou tentativas de chegar a uma nova trégua.

Neste sábado, Israel anunciou que iria retirar os seus negociadores do serviço de inteligência Mossad das conversas no Catar, que tem atuado como mediador, após um "impasse nas negociações".

Saleh al-Arouri, vice-chefe do gabinete político do Hamas, disse à Al Jazeera neste sábado que "não há negociações agora" e não haverá mais troca de prisioneiros com Israel até que a guerra termine.

A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, em uma reunião com o presidente do Egito, disse que "sob nenhuma circunstância [os] Estados Unidos permitiriam a realocação forçada de palestinos de Gaza ou da Cisjordânia, o cerco de Gaza, ou o redesenho das fronteiras de Gaza".

Ela também reiterou a posição dos EUA de que Israel tinha o direito de se defender.

Durante a sua reunião em Dubai, na conferência climática COP28 da ONU, ela disse a Abdul Fattah al-Sisi que os esforços de paz só poderiam ter sucesso se "prosseguidos no contexto de um horizonte político claro para o povo palestino em direção a um Estado liderado por uma Autoridade Palestina revitalizada."

No comunicado de sábado, Netanyahu elogiou a libertação de 110 reféns israelenses - mulheres e crianças - e alguns estrangeiros.

"Bem-vindo de volta do inferno", disse Netanyahu.

Os reféns foram libertados em troca da libertação de 240 prisioneiros palestinos - mulheres e adolescentes.

A maioria dos cerca de 140 reféns que permanecem em Gaza são homens e militares.

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