Cerca de 180 palestinos deixaram Gaza em direção ao Egito em uma semana
Cerca de 180 palestinos deixaram a Faixa de Gaza desde a reabertura da fronteira com o Egito, em 2 de fevereiro, anunciaram neste domingo (8) autoridades do território.
Israel havia concordado em reabrir a passagem de Rafah, a única porta de saída para o mundo exterior que não passa pelo país, para os habitantes do território palestino, mas que estava fechada desde maio de 2024. A reabertura, porém, limita entradas e saídas apenas aos residentes de Gaza, sob condições extremamente rígidas.
Entre segunda e quinta‑feira, 135 pessoas, a maioria doentes e seus acompanhantes, foram autorizadas por Israel a deixar a Faixa de Gaza por Rafah, enquanto outras 88 retornaram do Egito antes do fechamento da passagem na sexta e no sábado para o fim de semana, segundo o serviço de imprensa do governo de Gaza, administrado pelo Hamas.
"Os números oficiais das passagens pelo posto de Rafah entre segunda, 2 de fevereiro, e quinta, 5 de fevereiro, mostram uma severa restrição aos deslocamentos", declarou à AFP o chefe do serviço de imprensa, Ismaïl al‑Thawabteh.
A ONU e organizações humanitárias pedem há meses a reabertura total da fronteira com o Egito, prevista no plano do presidente americano Donald Trump para pôr fim definitivamente à guerra entre Israel e o Hamas, com o objetivo de permitir a entrada massiva de ajuda humanitária.
A reabertura do posto fronteiriço neste domingo permitiu a saída de 44 palestinos, "entre eles 19 doentes e seus acompanhantes", afirmou à AFP o diretor do hospital Al‑Chifa, na Cidade de Gaza, Mohammed Abou Salmiya.
O Crescente Vermelho Palestino confirmou esses números, e uma fonte do lado egípcio também mencionou 44 partidas neste domingo.
Esses dados elevam para 179 o total de saídas em sete dias.
Neste domingo, segundo imagens filmadas pela AFP, várias famílias palestinas se reuniram em um centro do Crescente Vermelho em Khan Yunes, no sul da Faixa de Gaza, para acompanhar seus parentes que aguardavam evacuação para o Egito.
"Meu filho foi ferido durante a guerra e colocaram uma placa metálica em sua perna por um ano e meio. Disseram‑nos que ela precisa ser retirada para evitar complicações", contou Rajaa Abou al‑Jadian, mãe de um menino prestes a ser evacuado.
Segundo Mohammed Abou Salmiya, cerca de "20 mil pacientes, incluindo 4.500 crianças", têm atualmente "necessidade urgente de cuidados" no território devastado por dois anos de guerra.
Com AFP