Bangladesh elege novo Parlamento após 15 anos de governo autoritário
O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) obteve uma grande vitória nas primeiras eleições no país desde a violenta revolta popular de 2024, o que deixa seu líder, Tarique Rahman, a um passo de assumir o cargo de primeiro-ministro. Os resultados oficiais foram divulgados nesta sexta-feira (13).
O primeiro secretário da Comissão Eleitoral, Akhtar Ahmed, informou que o BNP venceu 212 das 300 cadeiras em disputa, contra 77 da coalizão liderada pelos islamistas do Jamaat-e-Islami, que levantou "sérias dúvidas sobre a integridade do processo de apuração".
O país do sul da Ásia, com 170 milhões de habitantes, votou na quinta-feira (12) para definir um novo Parlamento e deixar para trás os 15 anos de governo linha dura da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, derrubada em 2024 por uma revolta popular liderada por jovens da geração Z, um movimento duramente reprimido.
Os eleitores aprovaram ainda, com 60,26% de votos favoráveis, um pacote de reformas institucionais submetido a referendo, de modo paralelo às eleições legislativas, anunciou Akhtar Ahmed.
O pacote, assinado pela maioria dos partidos políticos em outubro, tem por objetivo impedir o retorno de um regime autocrático em Bangladesh. Ele limita a dois o número de mandatos do primeiro-ministro e prevê a criação de uma Câmara Alta, além do aumento dos poderes do presidente.
A carta precisa, no entanto, ser aprovada pelo novo Parlamento para entrar em vigor.
EUA e Índia parabenizam BNP
Antes do anúncio formal dos resultados eleitorais, a embaixada dos Estados Unidos em Daca felicitou rapidamente Rahman e o BNP por sua "vitória histórica", enquanto a vizinha Índia elogiou seu triunfo "decisivo", apesar das relações turbulentas recentes com Bangladesh.
Durante a noite, os canais de televisão locais projetaram que o BNP havia superado a barreira de 150 cadeiras para garantir maioria no Parlamento. As estimativas apontavam que a legenda deveria obter mais de dois terços dos deputados.
O líder do BNP, Ruhul Kabir Rizvi, reiterou em um comunicado que o partido obteve uma "vitória esmagadora". Rahman declarou à AFP dois dias antes da votação que estava "confiante" no resultado do BNP e disse que o partido, marginalizado durante o governo de Hasina, recuperaria o poder.
O líder do Jamaat, Shafiqur Rahman, de 67 anos, fez uma campanha baseada na justiça e no fim da corrupção. Seu partido afirmou que "não estava satisfeito com o processo dos resultados eleitorais". A legenda alegou que registrou "inconsistências e erros nos anúncios de resultados não oficiais", mas não apresentou provas.
O chefe de governo interino do país, Muhammad Yunus, destacou em mensagem à nação a importância da votação. O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006, de 85 anos, lidera o país desde o fim do governo de Hasina.
A ex-primeira-ministra, de 78 anos, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade devido à violenta repressão das manifestações. Ela está na Índia, de onde denunciou eleições "ilegais".
Com AFP