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Autoridades federais dos EUA mantêm narrativa sobre morte de homem em Minneápolis, apesar de evidências em vídeo

25 jan 2026 - 15h47
(atualizado às 15h49)
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Altos funcionários do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defenderam neste domingo a atuação de agentes de imigração no episódio que resultou na morte a tiros de um cidadão norte-americano em Minneápolis, apesar das evidências em vídeo contradizirem sua versão dos eventos enquanto as tensões cresciam entre a polícia local e os agentes federais.

Enquanto os moradores visitavam um santuário improvisado com flores e velas, sob temperaturas gélidas e neve, para marcar a morte a tiros de Alex Pretti no sábado -- a segunda morte a tiros por ‌agentes federais em Minneápolis neste mês -- o governo Trump argumentou que Pretti agrediu os agentes, obrigando-os a atirar em legítima defesa.

Gregory Bovino, comandante geral da Patrulha de Fronteira, falando no programa "State of the Union", da CNN, não pôde oferecer provas de que Pretti estava ‌tentando impedir uma operação de aplicação da lei, mas concentrou-se no fato de que Pretti, que atuava como enfermeiro de terapia intensiva, estava portando uma arma, que ele tinha licença para portar.

"As vítimas são agentes de patrulha de fronteira", disse Bovino. "As forças da lei não agridem ninguém."

Bovino e a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, acusaram Pretti de agredir os agentes, tumultuar e obstruí-los.

"Sabemos que ele foi até o local e impediu uma operação policial, o que é contra a lei federal", disse Noem ao programa "Sunday Briefing", da Fox News. "É um crime. Quando ele fez isso, interagindo com os agentes, quando eles tentaram fazer com que ele se afastasse, ele se tornou agressivo e resistiu a eles."

Essa linha oficial, repetida por outras autoridades do governo Trump no domingo, provocou a ‍indignação de policiais locais, muitos em Minneápolis e democratas no Capitólio, por causa de vídeos de espectadores que parecem mostrar uma versão diferente dos fatos.

SEGURANDO UM TELEFONE, NÃO UMA ARMA

Vídeos da cena verificados e revisados pela Reuters mostraram Pretti, 37 anos, segurando um telefone na mão, não uma arma, enquanto tentava ajudar outros manifestantes que foram empurrados ao chão por agentes.

No início dos vídeos, Pretti pode ser visto filmando enquanto um agente federal afasta uma mulher e empurra outra mulher para o chão. Pretti se coloca entre o agente e as mulheres e, em seguida, levanta o braço esquerdo para se proteger enquanto o agente joga spray de pimenta nele.

Vários agentes então agarram Pretti -- que luta com eles -- ‌e o forçam a ficar de joelhos. Enquanto os agentes prendem Pretti, alguém grita o que parece ser um aviso sobre a presença de uma arma.

As imagens de vídeo parecem mostrar ‌um dos agentes retirando a arma de Pretti e se afastando do grupo com ela.

Momentos depois, um policial com uma pistola apontada para as costas de Pretti disparou quatro tiros contra ele em rápida sucessão. Vários outros tiros podem ser ouvidos quando outro agente parece disparar contra Pretti.

Darius Reeves, ex-chefe do escritório de campo em Baltimore do Serviço de Alfândega e Imigração dos EUA (ICE, na sigla em inglês), corporação da qual os agentes envolvidos na morte de Pretti fazem parte, disse à Reuters que a aparente falta de comunicação dos agentes federais é preocupante. "Está claro para mim que ninguém está se comunicando, com base na minha observação de como aquela equipe reagiu", disse Reeves.

Um dos policiais parecia ter tomado posse da arma de Pretti antes de ele ser morto, disse Reeves. "A prova para mim é como todos se dispersam", disse ele. "Eles estão olhando em volta, tentando descobrir de onde vieram os tiros."

"OS VÍDEOS FALAM POR SI"

Brian O'Hara, chefe de polícia de Minneápolis, disse ao programa "Face the Nation", da CBS, que "os vídeos falam por si", acrescentando que a versão dos eventos do governo Trump é "profundamente perturbadora". Ele disse não ter visto nenhuma evidência de que Pretti tenha empunhado uma arma.

As tensões na cidade já estavam em alta depois que um agente federal atirou fatalmente na cidadã norte-americana Renee Good em 7 de janeiro. As autoridades do governo Trump alegam que ela estava tentando atropelar o agente com seu carro, mas outros observadores argumentaram que o vídeo de espectadores sugere que ela estava tentando se afastar do agente que atirou nela.

As autoridades federais se recusaram a permitir que as autoridades locais participassem da investigação do incidente.

A senadora dos EUA Amy Klobuchar, democrata de Minnesota, disse ao programa "This Week", da ABC News que a onda de agentes federais de Trump em Minneápolis está "completamente fora de controle e desequilibrada" e que eles deveriam deixar Minnesota. Ela descreveu a morte de Pretti como "simplesmente horrível".

As mortes de Good e Pretti provocaram grandes protestos na cidade governada pelos democratas, embora na manhã de domingo a área onde Pretti foi baleado estivesse calma.

Uma mulher vestindo uma bata de enfermagem se aventurou nas temperaturas geladas de domingo para homenagear Pretti, que, segundo ela, trabalhava com ela. Quando lhe perguntaram o que a levou a sair, a mulher começou a soluçar.

"Ele era atencioso e gentil. Nada disso faz sentido", disse a mulher, que pediu para não ser identificada pelo nome, dizendo que temia represálias do governo federal.

Além dos grandes protestos em Minneápolis desde a morte de Good, houve manifestações em outras cidades lideradas por políticos democratas, incluindo Los Angeles e Washington, D.C., desde que Trump começou a enviar agentes de imigração e tropas da Guarda Nacional para essas comunidades no ano passado.

Trump defendeu as operações como necessárias para reduzir o crime e fazer cumprir as ‌leis de imigração.

A morte de Pretti desencadeou ações judiciais na noite de sábado por parte de autoridades estaduais e locais, além de outras.

Um juiz distrital dos EUA emitiu uma ordem de restrição temporária proibindo as autoridades federais de destruírem ou alterarem provas relacionadas ao tiroteio em resposta a uma ação movida pelo procurador-geral de Minnesota, pelo Gabinete do Procurador do Condado de Hennepin e pelo Bureau of Criminal Apprehension. Uma audiência completa está marcada para segunda-feira.

Os advogados que representam os manifestantes em Minnesota também pediram a um tribunal de recursos que restabelecesse a ordem de um tribunal inferior que impedia a retaliação violenta de agentes federais contra os manifestantes, citando a morte de Pretti e a probabilidade de uma onda de pessoas nas ruas.

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