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Ataque russo deixa mortos e dezenas de feridos em Kiev; Moscou diz que vai 'manter a pressão'

Ao menos 17 pessoas morreram e outras 86 ficaram feridas após ataques russos na noite de quarta-feira, 2, na capital ucraniana

2 jul 2026 - 07h01
(atualizado às 08h13)
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Segundo o presidente ucraniano, os primeiros socorros estão limpando os escombros, procurando por pessoas e prestando assistência em Kiev
Segundo o presidente ucraniano, os primeiros socorros estão limpando os escombros, procurando por pessoas e prestando assistência em Kiev
Foto: Reprodução/X/Volodymyr Zelenskyy

Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI em Kiev, com agências

Após os ataques russos na noite desta quarta-feira (2), que deixaram 17 mortos e pelo menos 86 feridos em Kiev, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia continuará "aumentando a pressão" sobre a Ucrânia para "alcançar os objetivos que estabeleceu", apesar das ameaças de novas sanções da União Europeia.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou que somente um apoio militar duradouro à Ucrânia e o aumento da pressão sobre Moscou permitirão pôr fim aos ataques russos. Em mensagem publicada no X, ela declarou que vai propor novas medidas contra entidades que apoiam o complexo militar-industrial russo. "Quanto mais Moscou atacar civis, mais sanções deverão ser impostas."

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu nesta quinta mais apoio dos aliados da Ucrânia para a defesa antiaérea do país. Ele espera obter uma licença dos Estados Unidos que autorize o país a produzir mísseis Patriot após a nova ofensiva contra Kiev. "Contamos com uma decisão dos Estados Unidos sobre as licenças para os Patriots e outras formas de cooperação. São medidas desse tipo que podem deter esta guerra e impedir ataques como este", declarou Zelensky no Facebook.

Kiev sofreu durante a noite o maior ataque das forças russas desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, afirmou nesta quinta o prefeito da capital, Vitali Klitschko. A capital ucraniana foi alvo de uma intensa ofensiva de mísseis e drones russos, que destruíram andares inteiros de edifícios residenciais.

A Rússia utilizou 74 mísseis e 496 drones em seu ataque noturno, segundo a Força Aérea da Ucrânia. A defesa antiaérea ucraniana interceptou a maior parte desses projéteis, mas 25 mísseis balísticos e 12 drones atingiram 33 locais. "Não adiem as decisões sobre a defesa aérea da Ucrânia. Esta é a nossa principal solicitação aos parceiros após uma noite de horror em Kiev", declarou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, fazendo o mesmo apelo que Zelensky.

Na véspera, durante uma visita a Dublin, o líder ucraniano afirmou que retornaria imediatamente a Kiev. Ele disse ter informações sobre a possibilidade de uma ofensiva em grande escala. "Sabemos que (Vladimir) Putin prepara este ataque há algum tempo", declarou em entrevista coletiva na Irlanda, na quarta-feira (1), ao pedir prudência aos ucranianos.

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou nesta quinta a autoria do ataque. Segundo Moscou, a ação foi realizada "em resposta aos ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis". Os alvos, de acordo com o governo russo, eram "empresas da indústria militar e instalações energéticas".

"Mais uma vez, o inimigo atinge deliberadamente áreas residenciais e mata civis. Os danos são consideráveis e o número de feridos é elevado, incluindo crianças", escreveu no Telegram Timur Tkatchenko, chefe da administração militar de Kiev.

Jornalistas  relataram ter ouvido explosões durante várias horas de ataques sucessivos. Nas ruas, moradores dirigiam-se aos abrigos carregando colchões debaixo do braço. Dezenas de milhares de pessoas se abrigaram em porões, estacionamentos subterrâneos e estações do metrô.

Kiev é alvo frequente

De acordo com o prefeito Vitali Klitschko, os ataques danificaram um edifício no centro da capital que abrigava uma base de ambulâncias. "Cinco profissionais de saúde ficaram feridos no distrito de Shevchenkivskyi. Um deles, um socorrista, está em estado crítico", detalhou no Telegram.

"O telhado de um edifício residencial de grande altura está em chamas" em outro distrito, enquanto pessoas ficaram presas em um prédio residencial de nove andares que também foi danificado, acrescentou o prefeito.

Mais de quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia, a capital continua sendo alvo frequente de ataques aéreos. Em 2 de junho, um ataque russo em larga escala, realizado com 656 drones e 73 mísseis, deixou 23 mortos, incluindo 16 em Dnipro, no centro-leste do país, e sete em Kiev, onde cerca de 50 pessoas também ficaram feridas, segundo as autoridades.

Kiev intensificou nos últimos meses seus ataques contra a Rússia e os territórios ocupados por Moscou, enquanto as negociações mediadas pelos Estados Unidos para encerrar a guerra permanecem estagnadas.

Na noite de quarta para quinta-feira, um civil morreu na região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, e outro na região de Nijni Novgorod, cerca de 400 km a leste de Moscou, em ataques com drones ucranianos, segundo autoridades locais. Em 18 de junho, outro ataque deixou 17 feridos e atingiu uma refinaria na região de Moscou, provocando explosões e um incêndio de grandes proporções.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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