Ucrânia amplia ofensiva contra refinarias e crise de combustível já atinge quase toda a Rússia
A Rússia voltou a atacar a infraestrutura de combustíveis da Ucrânia nesta quarta-feira (1º), enquanto a campanha ucraniana contra refinarias e instalações petrolíferas russas aprofunda a crise de abastecimento de combustíveis na Rússia.
Anissa El Jabri, correspondente em Moscou, e agências
Durante a madrugada, forças russas bombardearam cinco postos de combustíveis na região de Dnipropetrovsk, no sudeste da Ucrânia, matando uma mulher e ferindo outras três pessoas, segundo o governador regional Oleksandr Hanja. Em Kherson, um ataque de drone contra um ônibus deixou dois mortos e cinco feridos, informou o governador Oleksandr Prokudin.
Os ataques contra postos de combustíveis ucranianos se intensificaram nas últimas semanas. Bombardeios semelhantes foram registrados quase diariamente nas regiões de Zaporíjia, Sumy, Kharkiv e Dnipropetrovsk, em uma aparente tentativa de afetar a logística e o abastecimento próximos à linha de frente.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia ampliou sua ofensiva contra a infraestrutura energética russa. O presidente Volodimir Zelensky informou nesta quarta-feira que as forças ucranianas atingiram pela segunda vez uma refinaria na cidade de Ufa, a mais de 1.300 quilômetros da linha de frente, além de bombardear uma instalação estratégica na região de Penza responsável pela fabricação de componentes para mísseis.
Os ataques fazem parte da estratégia de Kiev de enfraquecer a capacidade russa de financiar e sustentar o esforço de guerra por meio da indústria petrolífera.
Filas em postos russos
Os efeitos começam a ser sentidos em praticamente todo o território russo. Segundo estimativas divulgadas pela imprensa local, cerca de 95% do país enfrenta dificuldades de abastecimento de combustíveis. Longas filas se formam em postos de gasolina, inclusive em Moscou, enquanto diversas regiões adotam medidas de racionamento.
Em Yakutia, o abastecimento passou a ser limitado a 30 litros de gasolina e 200 litros de diesel por veículo, além da proibição de encher galões extras. Na região de Irkutsk, na Sibéria, foi decretado estado de "alerta reforçado". O governador pediu que empresas ampliem o home office para reduzir o consumo de combustível, enquanto autoridades instalaram banheiros químicos ao longo das filas nos postos e iniciaram operações contra a revenda ilegal de gasolina.
O Kremlin informou que negocia a compra de combustíveis com vários países para aliviar a crise, sem revelar quais. Outra alternativa em estudo é liberar temporariamente a venda da gasolina do tipo E2, proibida desde 2013 por conter níveis mais elevados de enxofre e benzeno e ser considerada inadequada para motores modernos.
Aumento de ataques
A escalada dos ataques ocorre apesar de uma redução no número total de drones e mísseis russos lançados contra a Ucrânia em junho. Segundo dados da Força Aérea ucraniana compilados pela AFP, Moscou disparou 5.749 drones de longo alcance e 180 mísseis contra áreas fora da linha de frente no mês passado, queda de 29% e 15%, respectivamente, em relação a maio.
Mesmo assim, os bombardeios continuaram causando destruição e elevado número de vítimas. O ataque mais letal ocorreu em 2 de junho, quando a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis, matando 23 pessoas. Em 15 de junho, uma nova ofensiva contra Kiev deixou cinco mortos e danificou a Catedral da Dormição, patrimônio mundial da Unesco.
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