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Ásia

Bangladesh: sobrevivente diz que nunca mais trabalhará em fábrica de roupas

Reshma Begum, 19 anos, foi resgatada na sexta-feira sem ferimentos graves. O prédio Rana Plaza, em Savar, desabou no dia 24 de abril. Até o momento, 1.127 pessoas morreram na tragédia

13 mai 2013 - 11h39
(atualizado às 11h46)
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Resham recebe tratamento no hospital militar em Savar no sábado
Resham recebe tratamento no hospital militar em Savar no sábado
Foto: AP

A costureira de 19 anos que passou 17 dias presa nos escombros do prédio que desabou em Bangladesh disse nesta segunda-feira que nunca mais trabalhará em uma fábrica de roupas do país. Reshma Begum foi retirada em um surpreendente bom estado de saúde dos destroços do Rana Plaza, em Savar, subúrbio da capital Daca, na última sexta-feira. As informações são da agência AP

Nesta segunda-feira, ela deixou seu quarto em um hospital militar e, de cadeira de rodas, falou com jornalistas. Ela sofreu um ferimento na cabeça, que, na entrevista, estava parcialmente coberta por um xale violeta. Ao lado de médicos e enfermeiras, ela contou sua história em voz baixa, quase inaudível.

Reshma Begum conversa com jornalistas em hospital em Savar, nas proximidades de Daca, nesta segunda-feira
Reshma Begum conversa com jornalistas em hospital em Savar, nas proximidades de Daca, nesta segunda-feira
Foto: AP

Begum diz que se mudou para Daca há três anos em busca de trabalho. No último dia 2 de abril, ela começou a trabalhar em uma fábrica no segundo andar do Rana Plaza. Seu salário seria de 4,7 mil takas mensais (US$ 60).

Na manhã do dia 24 de abril, ela diz que ouviu sobre rachaduras no prédio e viu colegas de trabalho, majoritariamente homens, se recusando a entrar. Seus chefes lhe asseguraram que não havia problemas. "Faça seu trabalho", disseram. O prédio desabou pouco tempo depois.

"Quando aconteceu, eu caí e fui gravemente ferida na cabeça. Então eu me vi na escuridão", contou Begum. Ela diz que tentou engatinhar para um lugar seguro, mas não conseguia achar saída.

Begum diz que sobreviveu com a ajuda de quatro pacotes de biscoitos e um pouco de água que levava consigo. "Outra pessoa, um homem, estava perto de mim. Ele pediu água. Eu não consegui ajudar. Ele morreu", disse a jovem. "Eu não consigo me lembrar de nada do que aconteceu. Eu não imaginava em voltar com vida", acrescentou.

Um dos médicos do hospital militar em que ela está internada disse que Begum estava confusa e tonta quando foi resgatada. "Ela entrou em pânico quando alguém a tocou", disse o homem identificado apenas como general Ashfaq. "Agora ela está melhor, está bem. Nós temos falado bastante com ela".

O resgate da jovem foi uma rara boa notícia em meio à tragédia de grandes proporções que se tornou o desabamento do Rana Plaza. Nesta segunda-feira, a contagem de mortos chegou a 1.127.

A tragédia gerou uma pressão mundial por reformas na indústria de vestuário de Bangladesh, que produz para grandes marcas ocidentais. Mas Begum disse que nenhuma mudança a levará de volta ao setor. "Eu nunca mais trabalharei em um fábrica de roupas de novo", disse a jovem.

Fonte: Terra
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