Bangladesh: sobrevivente diz que nunca mais trabalhará em fábrica de roupas
Reshma Begum, 19 anos, foi resgatada na sexta-feira sem ferimentos graves. O prédio Rana Plaza, em Savar, desabou no dia 24 de abril. Até o momento, 1.127 pessoas morreram na tragédia
Resham recebe tratamento no hospital militar em Savar no sábado
Foto: AP
A costureira de 19 anos que passou 17 dias presa nos escombros do prédio que desabou em Bangladesh disse nesta segunda-feira que nunca mais trabalhará em uma fábrica de roupas do país. Reshma Begum foi retirada em um surpreendente bom estado de saúde dos destroços do Rana Plaza, em Savar, subúrbio da capital Daca, na última sexta-feira. As informações são da agência AP.
Nesta segunda-feira, ela deixou seu quarto em um hospital militar e, de cadeira de rodas, falou com jornalistas. Ela sofreu um ferimento na cabeça, que, na entrevista, estava parcialmente coberta por um xale violeta. Ao lado de médicos e enfermeiras, ela contou sua história em voz baixa, quase inaudível.
Reshma Begum conversa com jornalistas em hospital em Savar, nas proximidades de Daca, nesta segunda-feira
Foto: AP
Begum diz que se mudou para Daca há três anos em busca de trabalho. No último dia 2 de abril, ela começou a trabalhar em uma fábrica no segundo andar do Rana Plaza. Seu salário seria de 4,7 mil takas mensais (US$ 60).
Na manhã do dia 24 de abril, ela diz que ouviu sobre rachaduras no prédio e viu colegas de trabalho, majoritariamente homens, se recusando a entrar. Seus chefes lhe asseguraram que não havia problemas. "Faça seu trabalho", disseram. O prédio desabou pouco tempo depois.
"Quando aconteceu, eu caí e fui gravemente ferida na cabeça. Então eu me vi na escuridão", contou Begum. Ela diz que tentou engatinhar para um lugar seguro, mas não conseguia achar saída.
Socorristas carregam em maca mulher que passou 16 dias sob os escombros do prédio Rana Plaza em Savar, subúrbio da capital Daca. A sobrevivente, que foi identificada como Reshma, foi resgatada sem ferimentos graves. Ela recebeu água e comida e foi encaminhada para um hospital
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A mulher estava presa no subsolo do prédio de oito andares, segundo o jornal local Daily Star
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Imagem mostra o momento em que a mulher é retirada dos escombros
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De acordo com o Daily News, um socorrista ouviu os gritos de Rashma por volta das das 15h15 (horário local), quase 400 horas depois do desabamento do prédio Rana Plaza. Um dos trabalhadores disse ao jornal que eles estavam se preparando para quebrar uma grande laje quando ouviram algo diferente
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Socorristas carregam a mulher após ela ser retirada dos escombros nesta sexta-feira
Foto: AP
Reshma é carrega por socorristas após ser retirada dos escombros
Foto: AP
"Ela foi resgatada e levada a um hospital militar", disse o porta-voz do Exército de Bangladesh, Shahinul Islam
Foto: Reuters
Frame de vídeo mostra Reshma já em hospital de Daca
Foto: AP
A última pessoa sobrevivente tinha sido encontrada no dia 28 de abril
Foto: AP
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Begum diz que sobreviveu com a ajuda de quatro pacotes de biscoitos e um pouco de água que levava consigo. "Outra pessoa, um homem, estava perto de mim. Ele pediu água. Eu não consegui ajudar. Ele morreu", disse a jovem. "Eu não consigo me lembrar de nada do que aconteceu. Eu não imaginava em voltar com vida", acrescentou.
Um dos médicos do hospital militar em que ela está internada disse que Begum estava confusa e tonta quando foi resgatada. "Ela entrou em pânico quando alguém a tocou", disse o homem identificado apenas como general Ashfaq. "Agora ela está melhor, está bem. Nós temos falado bastante com ela".
O resgate da jovem foi uma rara boa notícia em meio à tragédia de grandes proporções que se tornou o desabamento do Rana Plaza. Nesta segunda-feira, a contagem de mortos chegou a 1.127.
A tragédia gerou uma pressão mundial por reformas na indústria de vestuário de Bangladesh, que produz para grandes marcas ocidentais. Mas Begum disse que nenhuma mudança a levará de volta ao setor. "Eu nunca mais trabalharei em um fábrica de roupas de novo", disse a jovem.
Multidão acompanha operação de resgate em 25 de abril, uma dia após o desabamento. O prédio Rana Plaza desabou em Savar, no subúrbio da capital Daca, no dia 24 de abril. Milhares de pessoas que trabalhavam em empresas têxteis no momento da tragédia foram soterradas. Cerca de mil já foram declaradas mortas, mas o número de corpos retirados dos escombros cresce diariamente
Foto: AP
Crianças cobrem os narizes próximo a corpos em decomposição de pessoas não identificadas colocados em caminhão para serem levados para vala comum, no dia 1º de maio
Foto: AP
Mulher cobre o rosto ao exibir foto da irmã que prosseguia desaparecida no dia 3 de maio
Foto: AP
Parentes reagem após o corpo de um ente ser identificado no dia 3 de maio
Foto: AFP
Mulher chora em cemitério ao exibir a foto de filho desaparecido, no dia 3 de maio
Foto: AP
Equipe de resgate carrega trabalhador resgatado com vida dos destroços em 26 de abril, dois dias após o desabamento
Foto: Reuters
Bombeiro carrega mulher ferida no desabamento após ela ser retirada dos destroços no dia 24 de abril
Foto: AFP
Mulher dorme no chão ao lado de retrato de parente desaparecida enquanto aguarda por notícias no dia 4 de maio
Foto: AFP
Trabalhadora é retirada do prédio após ser resgatada dos destroços no dia 24 de abril
Foto: Reuters
Socorrista descansa em meio aos destroços durante intervalo nas buscas no dia 25 de abril
Foto: AP
Mulher chora por seu marido desaparecido nas proximidades do prédio desabado, em 27 de abril
Foto: AP
Soldados são fotografados em meio aos destroços enquanto buscas por sobreviventes prosseguem ao cair da noite do dia 26 de abril
Foto: AP
Socorrista usa furadeira para perfurar concreto e metal para abrir caminho para operação de resgate dentro do prédio, em 26 de abril
Foto: AP
Trabalhadora é retirada com vida dos escombros no dia 26 de abril
Foto: AP
Soldados participam da operação de resgate em meio aos escombros do Rana Plaza em 26 de abril
Foto: AP
Homem joga terra sobre túmulo de pessoa não identificada que morreu no desabamento, em 1º de maio
Foto: AP
Mulher chora ao lado de caixão de parente morto na tragédia, em 28 de abril
Foto: AP
Trabalhadores enterram corpos de pessoas não identificadas durante funeral no dia 1º de maio
Foto: AP
Mulheres cobrem os narizes ao procurarem por parente em meio a corpos enfileirados em escola transformada em necrotério, em 2 de maio
Foto: AP
Socorristas usam pedaço de tecido para retirar mulher do prédio durante operação de resgate no dia 24 de abril
Foto: AP
Socorristas ajudam colega ferido em incêndio durante operação de resgate em meio aos destroços do prédio no dia 28 de abril
Foto: Reuters
Homem deita no chão de escola enquanto aguarda por notícias sobre parente que trabalhava em fábrica no prédio desabado, no dia 5 de maio
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Sob os olhares de uma multidão, dezenas de trabalhadores participam de operação de resgate sob os escombros do prédio Rana Plaza horas após o desabamento, no dia 24 de abril
Foto: Reuters
Socorristas buscam por sobreviventes em meio aos destroços do prédio em 28 de abril
Foto: Reuters
Parentes exibem fotos de trabalhadores que desapareceram no desabamento do prédio e ainda não tinham sido encontrados no dia 28 de abril
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Do alto de prédio vizinho, homens acompanham operações de resgate no Rana Plaza no dia 25 de abril
Foto: Reuters
Mulher é puxada para fora dos escombros ao ser resgatada no dia 25 de abril
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Homem mostra foto de mulher desaparecida para socorristas em meio aos destroços do prédio, em 27 de abril
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Soldados e socorristas carregam trabalhadora retirada com vida dos escombros do Rana Plaza três dias após a tragédia, em 27 de abril
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Socorristas rezam em meio aos destroços do Rana Plaza em 27 de abril