As suspeitas em torno de aposta que ganhou quase meio milhão de dólares com prisão de Maduro
Um usuário fez uma aposta de mais de US$ 32 mil (R$ 175 mil) pouco antes de Trump anunciar que o líder venezuelano estava sob custódia dos EUA
Um apostador ganhou quase meio milhão de dólares com a captura do presidente da Venezuela pouco antes de o fato ser anunciado oficialmente, levantando questionamentos sobre se alguém lucrou com informações privilegiadas sobre a operação dos EUA.
Apostas na Polymarket, uma plataforma movida a criptomoedas, de que Nicolás Maduro deixaria o poder até o fim de janeiro aumentaram nas horas que antecederam o anúncio feito no sábado (3/1) pelo presidente americano Donald Trump de que o líder venezuelano havia sido detido.
Uma conta, que entrou na plataforma no mês passado e fez quatro apostas, todas relacionadas à Venezuela, lucrou mais de US$ 436 mil (R$ 2,3 milhões) a partir de uma aposta de US$ 32.537 (R$ 175 mil).
Ainda não está claro quem fez a aposta. A conta anônima tinha um identificador de blockchain, tecnologia de registro digital descentralizado, composto por letras e números.
Dados da Polymarket mostram que, na tarde de sexta-feira (2/1), os operadores estimavam as chances de saída de Maduro em apenas 6,5%.
Mas elas haviam saltado para 11% pouco antes da meia-noite e dispararam nas primeiras horas de 3 de janeiro, indicando uma mudança repentina de posições pouco antes de Trump publicar na rede social Truth Social que Maduro estava sob custódia dos EUA.
A Polymarket não respondeu a um pedido de comentário.
"Essa aposta em particular tem todas as características de uma negociação baseada em informação privilegiada", disse Dennis Kelleher, diretor-executivo da Better Markets, grupo apartidário que defende a reforma financeira, à CBS, parceira da BBC nos EUA.
Um pequeno número de outros usuários da Polymarket também ganhou dezenas de milhares de dólares com apostas na captura de Maduro.
Como é a regulamentação de apostas nos EUA
Alguns parlamentares começam a prestar atenção ao tema.
O congressista Ritchie Torres, democrata de Nova York, apresentou na segunda-feira um projeto de lei que busca proibir funcionários do governo de fazer negociações em mercados de previsão se tiverem "informações relevantes não públicas" relacionadas a uma aposta.
Os mercados de apostas ganharam popularidade nos EUA nos últimos anos, com empresas como Polymarket e Kalshi permitindo que usuários apostem em tudo, de esportes a política.
As principais empresas do setor atraíram centenas de milhões de dólares em apostas sobre o resultado da eleição presidencial dos EUA de 2024.
O setor foi alvo de fiscalização e questionamentos por parte de reguladores durante o governo Biden. Mas recebeu uma acolhida mais favorável durante a presidência de Trump.
Donald Trump Jr., filho do presidente, atua em funções de consultoria na Kalshi e na Polymarket.
A negociação com informação privilegiada é ilegal no mercado de ações, mas há menos regulamentações nos mercados de apostas.
Um porta-voz da Kalshi afirmou que o site "proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais".