Voz indígena se expande no Chaco argentino através das ondas do rádio
A situação dos povos indígenas na Argentina não é fácil e é cheia de tragédias, mas na pequena cidade de Tartagal, na província de Salta, os nativos dos povos guarani, qom e wichi tentam recuperar sua cultura através de sua própria emissora de rádio.
Foi graças à liderança de valentes mulheres que estes povos originais puderam sair do isolamento social que em outras regiões é tão habitual, em um trabalho que em Tartagal tem o nome de "La Voz Indígena".
A emissora foi um dos lugares visitados pelo projeto Chaco Ra'anga, uma iniciativa científica e cultural que atravessa o Grande Chaco sul-americano e que é composta de 12 viajantes de Argentina, Espanha, Paraguai e Bolívia.
As líderes tribais Felisa Mendoza, Lydia Maras e Ayda Valdés explicaram aos viajantes o papel desempenhado pela "Voz Indígena" como referência cultural dessas comunidades ao atrair adultos e jovens a conhecer sua história ancestral.
"Agora os jovens querem conhecer quem foram nossos heróis que resistiram às campanhas militares que tentaram nos fazer desaparecer. Estão orgulhosos", disse à Agência Efe Ayda Valdés, cacique da comunidade Yariguarendá (terra dos papagaios, em seu guarani nativo).
Informando e produzindo livros, radionovelas e programas culturais conquistaram a sua audiência, que nunca teve espaço suficiente nos meios de comunicação comerciais para se expressar.
Com o incansável apoio de Leda Cantor, o Centro Cultural Litana Prado se transformou em sua base de operações, em lugar de encontro e de confraternização.
"Antes ninguém contava o que acontecia em nossas comunidades, ninguém reivindicava que nossos idiomas sejam estudados na escola", declarou Valdés.
Sua abnegação atraiu uma geração de jovens que se transformaram em comunicadores exemplares, técnicos e cidadãos conscientes de sua história e sua cultura.
É o caso de Luis Giménez, que apresenta vários programas da rádio e convida o grupo de viajantes a entrar em seu estúdio, tão profissional como o de qualquer rádio comercial.
Agradecido pela visita e pelo recíproco interesse, pôs as mãos à obra para que as ondas se enchessem com a mistura de suas histórias e as dos viajantes espanhóis, argentinos, bolivianos e paraguaios.
"Revalorizamos nossas músicas, estamos recuperando o idioma que nossos pais precisaram ocultar por medo da repressão. A rádio é fundamental para nós, como difusão de informação e como expressão artística", comentou Giménez à Efe.
Ele quer que sua voz chegue aos demais povos indígenas do continente para contar-lhes que é possível, que, apesar de tudo que têm contra si, há formas de recuperar sua identidade, seu idioma e sua cultura.
O projeto Chaco Ra'anga saiu no final de abril da Argentina e após percorrer a Bolívia, finalizará sua expedição em Assunção, capital do Paraguai.
O Grande Chaco, que se estende por Argentina, Bolívia e Paraguai, forma a segunda área de floresta mais extensa da América do Sul e é declarada como reserva da biosfera.
As atividades, assim como os artigos e informações produzidos durante a viagem, podem ser consultados no site "www.chacoraanga.org".
O projeto Chaco Ra'anga está sendo realizado com o apoio do Programa de Capacitação para o Desenvolvimento no Setor Cultural, financiado pela Cooperação Espanhola e em parceria com a Rede de Centros Culturais e a Fundação Internacional e para Região Ibero-Americana de Administração e Políticas Públicas (FIIAPP).