Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

América Latina

Trump autoriza destruição de anticoncepcionais para países pobres; ONGs e líderes reagem

A decisão do governo dos Estados Unidos de destruir um estoque de contraceptivos femininos avaliado em US$ 9,7 milhões provocou forte reação internacional. Organizações não governamentais, entidades feministas e parlamentares denunciaram o ato como um "desperdício" e mais uma ofensiva contra os direitos das mulheres.

28 jul 2025 - 14h02
Compartilhar
Exibir comentários

A decisão do governo dos Estados Unidos de destruir um estoque de contraceptivos femininos avaliado em US$ 9,7 milhões provocou forte reação internacional. Organizações não governamentais, entidades feministas e parlamentares denunciaram o ato como um "desperdício" e mais uma ofensiva contra os direitos das mulheres.

Armazém da empresa Kuehne+Nagel onde estão estocados contraceptivos financiados pelos Estados Unidos, avaliados em cerca de US$ 10 milhões em Geel, Bélgica, 24 de julho de 2025.
Armazém da empresa Kuehne+Nagel onde estão estocados contraceptivos financiados pelos Estados Unidos, avaliados em cerca de US$ 10 milhões em Geel, Bélgica, 24 de julho de 2025.
Foto: REUTERS - Marta Fiorin / RFI

Segundo informações reveladas pelo jornal The Guardian em 18 de julho, os contraceptivos — principalmente DIUs e implantes hormonais — estavam armazenados em Geel, na Bélgica, e seriam incinerados no final de julho, na França. Os produtos foram adquiridos durante o governo Biden, por meio de contratos da agência USAID, e seriam destinados a mulheres em países de baixa renda, especialmente na África Subsaariana.

O Departamento de Estado norte-americano confirmou à AFP que uma "decisão preliminar" foi tomada para destruir os anticoncepcionais, classificados como "abortivos" sob a política vigente. O custo da incineração será de US$ 167 mil.

A justificativa oficial se baseia na chamada Política da Cidade do México, reinstaurada por Donald Trump em 2017 e novamente em 2025. Essa diretriz proíbe o financiamento de ONGs estrangeiras que realizem ou promovam o aborto. Além disso, o governo Trump desmantelou a USAID e cortou cerca de US$ 9 bilhões da ajuda internacional norte-americana.

Apesar da alegação de que os produtos estariam vencidos, documentos internos indicam que os contraceptivos têm validade entre abril de 2027 e setembro de 2031.

"Coerção reprodutiva"

Organizações como a MSI Reproductive Choices e a IPPF (Federação Internacional de Planejamento Familiar) ofereceram-se para comprar, reembalar e distribuir os produtos sem custo para o governo norte-americano, mas tiveram suas propostas rejeitadas.

O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica também iniciou tratativas diplomáticas com os EUA e busca alternativas para evitar a destruição, incluindo realocação temporária.

Nos Estados Unidos, os senadores democratas Jeanne Shaheen e Brian Schatz apresentaram um projeto de lei para impedir a incineração. A IPPF classificou o ato como "coerção reprodutiva intencional".

França sob pressão

Na França, onde os produtos devem ser incinerados, ativistas e políticos pressionam o presidente Emmanuel Macron a não ser "cúmplice de políticas retrógradas".

A presidente do Planning Familial, Sarah Durocher, afirmou que "um governo que inscreve com orgulho o direito ao aborto na Constituição deve também proteger a contracepção e os direitos das meninas além de suas fronteiras".

A presidência francesa, procurada pela AFP, não quis comentar.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade