Rússia, UE e aliados de Maduro condenam ataque dos EUA; Milei celebra captura de líder venezuelano
Governos aliados ao chavismo reagiram com indignação à ofensiva norte-americana na Venezuela que, segundo Donald Trump, resultou na captura de Nicolás Maduro. Rússia, Irã e Cuba denunciaram a violação da soberania venezuelana, enquanto a União Europeia pediu contenção e respeito ao direito internacional. A Espanha ofereceu mediação, e a Colômbia exigiu reunião urgente da ONU. Em contrapartida, o presidente argentino Javier Milei comemorou a operação, ampliando a polarização regional.
Governos aliados ao regime de Nicolás Maduro condenaram neste sábado (3) os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, após a operação militar anunciada pelo ex-presidente Donald Trump e a suposta captura do líder venezuelano.
A Rússia exigiu "esclarecimentos imediatos" sobre o paradeiro de Maduro e classificou a ação como "profundamente preocupante e condenável", afirmando que não havia justificativa para o ataque e que a "hostilidade ideológica" prevaleceu sobre a diplomacia. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a violação da soberania venezuelana.
O Irã, aliado histórico do chavismo, também repudiou "firmemente" a ofensiva norte-americana, chamando-a de "flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial" da Venezuela. Cuba, por sua vez, falou em "terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a América", segundo mensagem do presidente Miguel Díaz-Canel, que pediu uma "reação da comunidade internacional" contra o "ataque criminoso" dos Estados Unidos.
Na região, o presidente colombiano Gustavo Petro condenou os ataques "com mísseis" em Caracas e ordenou a mobilização de tropas na fronteira. Petro, cujo país ocupa este ano uma cadeira não permanente no Conselho de Segurança da ONU, solicitou uma reunião "imediata" do organismo para tratar da crise.
Em sentido oposto, o presidente argentino Javier Milei celebrou a notícia da captura de Maduro. "LA LIBERTAD AVANZA, VIVA LA LIBERTAD CARAJO", escreveu Milei em resposta a uma publicação sobre o caso.
LA LIBERTAD AVANZA
VIVA LA LIBERTAD CARAJO pic.twitter.com/yexGuQfKvF
— Javier Milei (@JMilei) January 3, 2026
"Respeito ao direito internacional"
Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu "contenção" e respeito ao direito internacional, após conversar por telefone com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Kallas lembrou que a UE considera Maduro sem legitimidade democrática e defende uma transição pacífica no país, mas ressaltou que "em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados". A União Europeia afirmou ainda que acompanha de perto a situação e que a segurança dos cidadãos europeus na Venezuela é "prioridade absoluta".
O governo espanhol reiterou sua disposição de atuar como mediador para alcançar uma "solução pacífica e negociada" para a crise, lembrando que não reconheceu os resultados das eleições de julho de 2024, oficialmente vencidas por Maduro, mas contestadas pela oposição.
Com AFP