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Professores e ativistas destroem sedes políticas de cidade do sul do México

24 abr 2013
22h34
atualizado em 25/4/2013 às 11h53
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Milhares de professores e ativistas transformaram nesta quarta-feira Chilpancingo, no sul do México, em uma cidade sem lei, destruindo várias sedes políticas, sem que as forças de segurança aparecessem.

Os atos afetaram todos os partidos políticos, o escritório de um senador e uma sede da Controladoria da Secretaria de Educação local
Os atos afetaram todos os partidos políticos, o escritório de um senador e uma sede da Controladoria da Secretaria de Educação local
Foto: EFE

Munidos de pedaços de madeira e canos, muitos deles com os rostos cobertos, militantes do Movimento Popular de Guerrero causaram distúrbios pelas ruas da cidade por várias horas.

O Movimento Popular de Guerrero foi criado no início deste mês por militantes de um sindicato de professores e ativistas de organizações simpatizantes que apoiam sua luta para resistir a uma reforma educativa impulsionada pelo governo federal.

Os atos desta quarta afetaram todos os partidos políticos, o escritório de um senador e uma sede da Controladoria da Secretaria de Educação local. Chilpancingo é capital do estado de Guerrero, um dos mais pobres do país e governado atualmente pela esquerda.

"Estão contra tudo e a favor de nada. Isso não deve ficar impune", afirmou em entrevista à imprensa local o líder do governante Partido Revolucionário Institucional (PRI), César Camacho.

O clima de fúria teve foco na sede do PRI, a maior das instalações atacadas e onde os ativistas destruíram documentos e mobília, além de terem provocado um incêndio.

A primeira sede atacada foi a do conservador Partido Ação Nacional (PAN), onde os funcionários que lá estavam entraram em pânico pelo ataque aos escritórios, onde foram danificados móveis, computadores e janelas.

Depois, o alvo foi o grupo de esquerda Movimento Cidadão, o escritório de um senador e os do também esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), uma das legendas que apoiaram Ángel Aguirre quando se tornou governador de Guerrero no pleito do 30 de janeiro de 2011.

Na sede da Controladoria da Secretaria de Educação de Guerrero, os manifestantes rasgaram arquivos e provocaram um incêndio com coqueteis molotov.

Chamou a atenção a absoluta ausência de policiais durante a manifestação, como pôde comprovar a reportagem da Agência Efe. Só apareceu um grupo de bombeiros na sede do PRI para tentar apagar o incêndio.

A segurança de Chilpancingo está a cargo da Polícia Municipal, e apenas se as autoridades da cidade o requerem intervêm agentes estaduais ou federais, mas nenhuma dessas corporações apareceu hoje.

O governador Aguirre afirmou que o que os manifestantes pretendiam "é que houvesse mortos, que houvesse feridos", mas que o governo estadual optou pela prudência.

"Se o que queriam eram mártires, não vamos dar", disse Aguirre em entrevista pela televisão, na qual também disse que isso não significa que os atos ilegais vão ficar impunes.

Os distúrbios ocorreram enquanto está ausente do país o presidente Enrique Peña Nieto, que participa, em Lima, da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial.

Os protestos de hoje fazem parte da queda de braço entre o governo e os professores do estado de Guerrero e de outras regiões que resistem a uma reforma educativa aprovada pelo Parlamento no dia 21 de dezembro e que cerceia os privilégios dos sindicatos do setor.

Até agora, os protestos dos professores de Guerrero se limitavam a manifestações e ao fechamento esporádico da estrada que liga a capital mexicana à cidade turística de Acapulco, mas esta é a primeira vez que ocorrem graves distúrbios.

EFE   
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