Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

América Latina

Publicidade

Mobilização contra presidente boliviano mantém cerco à capital La Paz

A mobilização contra o presidente boliviano, Rodrigo Paz, se intensificou na segunda‑feira (18) em La Paz, onde policiais e manifestantes se enfrentaram em uma cidade isolada do restante do país por bloqueios rodoviários. Aos protestos contra a crise econômica juntaram‑se os partidários do ex‑presidente Evo Morales.

19 mai 2026 - 12h00
Compartilhar
Exibir comentários

Com informações de Nils Sabin, correspondente da RFI em La Paz, e agências 

Apenas seis meses após assumir o poder, o presidente de centro‑direita Rodrigo Paz enfrenta uma pressão crescente de trabalhadores rurais, operários, mineiros e professores, que denunciam a pior crise econômica em quatro décadas na Bolívia. Na segunda-feira, armados com explosivos caseiros, bastões e pedras, manifestantes tentaram entrar na Praça Murillo, onde fica o palácio presidencial, para exigir a renúncia de Paz. 

Um grupo de manifestantes saqueou um escritório do Registro Nacional de Bens, levando móveis, computadores e outros equipamentos, segundo imagens divulgadas pelo governo. Centenas de policiais tentaram dispersar a multidão com bombas de gás lacrimogêneo. 

O canal de TV Unitel informou que mais de uma centena de pessoas foram presas e várias foram feridas nos confrontos com a polícia. O vice‑ministro do Interior e da Polícia, Hernan Paredes, afirmou que um manifestante morreu durante os confrontos após cair em uma vala

Já o Ministério Público anunciou ter ordenado a prisão de Mario Argollo, chefe da Central Operária Boliviana (COB), a principal central sindical do país. Apontado como um dos líderes das manifestações, ele é acusado de incitação pública à prática de delitos e de terrorismo. 

Mandados de prisão também foram emitidos contra 24 dirigentes à frente dos protestos. O governo de Rodrigo Paz denuncia tentativas de desestabilizar o país que, segundo ele, seriam financiadas por dinheiro do narcotráfico.

Marcha dos pró‑Morales chega a La Paz

Paralelamente, chegou à capital nesta segunda‑feira uma marcha de setores trabalhadores rurais e indígenas próximos ao ex‑presidente Evo Morales. Eles percorreram 190 quilômetros em seis dias e junto a outros setores mobilizados, como os professores, protestam contra as políticas neoliberais do governo. 

Em entrevista à RFI, o presidente da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia, Feliciano Vegamonte, expressou sua indignação com o governo. "Em seis meses, Rodrigo Paz desmontou completamente a economia do povo boliviano. É por isso que existe esse descontentamento, essa revolta do povo, e por isso estamos mobilizados", declarou. 

Se as primeiras mobilizações pediam sobretudo soluções para a inflação, a escassez de combustível e de dólares, as críticas ao governo agora são mais duras, como afirma Nelson Virreira, líder de uma organização camponesa. "Vivemos atualmente um modelo neoliberal de privatização dos recursos, das empresas e dos serviços. Isso significa deixar os pobres na miséria e enriquecer os mais abastados. Essa é a política deste governo", denuncia.

Morales é apontado como responsável

O atual governo acusa o ex‑presidente socialista Evo Morales (2006-2019), alvo de uma investigação por exploração sexual de uma menor, de estar por trás dos distúrbios. O ministro boliviano da Economia, José Gabriel Espinoza, afirmou à emissora Red Uno que os manifestantes seriam "operadores políticos" usados pelo esquerdista para "tentar voltar ao poder".

Entre os partidários de Evo Morales que se reuniram na capital para exigir a saída do presidente Rodrigo Paz, alguns temem que o ex‑dirigente de esquerda seja preso em breve. Desde 2024, ele vive recluso em seu reduto político no Chapare, no centro do país. 

Em sua conta na rede social X, Morales expressou solidariedade aos manifestantes e qualificou Mario Argollo, assim como outros dirigentes sindicais, de vítimas de uma "brutal perseguição".

Bloqueio da capital se intensifica

A mobilização vem sendo acompanhada, há mais de duas semanas, por bloqueios rodoviários que paralisam os acessos a La Paz. O órgão público Administradora Boliviana de Rodovias contabilizava, na noite de segunda‑feira, ao menos 32 pontos de bloqueio em todo o país. 

No sábado (16), policiais e militares haviam conseguido reabrir temporariamente algumas vias de acesso à capital após confrontos com manifestantes. Mas militantes retomaram o controle de vários pontos de bloqueio no mesmo dia. 

Esses bloqueios mantêm a capital praticamente isolada do restante do país, provocando escassez de combustível, alimentos e medicamentos, em meio à forte inflação. O governo anunciou que voltaria a intervir nas estradas bloqueadas nesta terça-feira (19), a fim de estabelecer um novo "corredor humanitário" por seis horas.

A Bolívia atravessa sua pior crise econômica desde os anos 1980. O país esgotou suas reservas de dólares para financiar os subsídios aos combustíveis, que foram eliminados em dezembro. A inflação acumulada em doze meses atingiu 14% em abril. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra