França presta homenagem a Dolly Parton, ícone americana da música country, que morreu aos 80 anos
Os jornais franceses desta quarta-feira (26) prestam homenagem à lenda da música country Dolly Parton, que morreu ontem, aos 80 anos, após seis décadas de carreira artística. O presidente Donald Trump determinou que as bandeiras americanas permaneçam a meio mastro por uma semana e classificou a morte da cantora como uma "verdadeira perda para milhões de pessoas". Os ex-presidentes Joe Biden, Bill Clinton e George W. Bush também destacaram sua importância cultural e humana.
Aos 80 anos, faleceu em Nashville a cantora Dolly Parton, ícone da música country e da cultura americana. Autora de clássicos como "Jolene" e "I Will Always Love You", vendeu mais de 100 milhões de discos e venceu dez Grammys. Além da música, Dolly destacou-se como atriz, empresária e filantropa, tornando-se símbolo de empoderamento feminino. Sua morte provocou comoção global, recebendo tributos de grandes artistas e líderes empresariais pelo seu legado imenso e inspirador.
"Dolly viveu na luz", diz seu sobrinho Bryan Seaver em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual destaca que a artista "abriu portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todas as origens".
"Heroína dos Estados Unidos e modelo feminista", diz o jornal Le Monde, destacando que este monumento da cultura americana compôs mais de cinco mil canções e gravou quase mil. Entre seus maiores sucessos estão as célebres "Jolene" e "I Will Always Love You", imortalizada na voz de Whitney Houston nos anos 1990.
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Sevierville, Tennessee. Filha de um pai cultivador de tabaco e uma mãe dona de casa, era a quarta de 12 filhos e cresceu na pobreza. Desde pequena, demonstrou gosto pela música. Foi um tio, Bill Owens, quem ensinou Dolly a tocar violão e a incentivou, ainda muito jovem, a subir ao palco.
Aos 13 anos, foi apresentada por Johnny Cash no Grand Ole Opry, famoso programa de rádio da época dedicado à música country. Após se formar na escola, ela se mudou para a capital do country, Nashville, mesma cidade onde faleceu, na terça-feira (25).
Em 1967, aos 21 anos, já era um dos nomes mais conhecidos da música americana, graças ao programa de TV de Porter Wagoner, que levou seu rosto e sua voz para milhões de lares dos Estados Unidos.
"Ela era a rainha dos Estados Unidos", diz o jornal Le Parisien, lamentando não apenas a morte de um ícone da música country, mas de uma das maiores artistas de todos os tempos. A matéria ressalta que Dolly Parton exerceu uma imensa influência sobre cantoras de todas as gerações, da visionária poeta Patti Smith ao fenômeno da música pop Taylor Swift, que afirmou que o legado de Dolly Parton será "eterno".
Da música country a Hollywood
Em 1977, a cantora country com aparência de pin‑up migra para o pop e, depois, conquista Hollywood. No cinema, ela atua em comédias populares para as quais costuma compor a canção‑tema. Foi o caso de "Como se Livrar do Chefe", de Colin Higgins, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Em seguida, ela emenda "A Casa das Galinhas" e "Rhinestone", de Bob Clark, ao lado de Sylvester Stallone.
Nos anos 1980, sua música ficou mais pop e Dolly começa a registrar problemas de saúde, com uma depressão persistente. Ao mesmo tempo, Dolly se tornou uma empresária formidável e inaugurou um parque de diversões em sua homenagem, o Dollywood, em sua região natal.
A artista também contribuiu de forma decisiva para definir a forma como as mulheres podem forjar sua imagem em uma indústria predominantemente masculina. Sua beleza, seus penteados e adereços ajudaram a criar sua lenda. À sua maneira, a cantora também combateu o machismo: sem violência, aproveitando seu lado caloroso e seu tino para os negócios para construir uma das maiores fortunas da cena musical americana. "Você não tem que se parecer com os outros. Não precisa ter uma beleza deslumbrante para ser especial", afirmava.
Homenagens
Ainda no mundo da música, artistas como Beyoncé, Mick Jagger, Miley Cyrus, Sheryl Crow, Kacey Musgraves, Reba McEntire e Sabrina Carpenter exaltaram o legado da cantora, considerada uma referência da música country e uma inspiração para diversas gerações.
Atrizes que trabalharam com ela, como Jane Fonda, Lily Tomlin e Julia Roberts, também prestaram homenagens emocionadas. Empresários como Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Tim Cook, diretor-executivo da Apple, ressaltaram não apenas sua carreira artística, mas também seu trabalho filantrópico, especialmente em programas de incentivo à leitura infantil.
Como tributo, o Empire State Building, em Nova York, foi iluminado de rosa na noite de terça-feira, cor associada à artista. A administração do prédio destacou sua contribuição para a música e seu importante legado de solidariedade e filantropia.
Funeral
Um pequeno funeral privado será organizado, informou seu representante à revista americana People. Os fãs poderão deixar mensagens no site da cantora, cujo marido, Carl Dean, morreu no ano passado.
Dolly havia anunciado em maio o cancelamento de uma série de shows em Las Vegas por motivo de saúde, tendo evocado que lutava contra problemas nos rins, indica o jornal Libération. Em suas redes sociais, disse que, embora o tratamento para uma doença não especificada estivesse evoluindo bem, ainda não estava pronta para se apresentar.
O jornal Le Figaro lamenta que Dolly Parton não tenha jamais se apresentado na França. Segundo o diário, na Europa, ela era vista como uma figura extravagante. Mas Dolly Parton era muito mais do que a estrela country de Nashville: atriz, editora, empresária, filantropa, uma das personalidades mais adoradas pelos americanos.
Ao todo, Dolly Parton gravou 49 álbuns, acumulou 100 milhões de discos vendidos e mais de 100 álbuns de coletâneas e colaborações. A artista conquistou dez prêmios Grammy e 13 da Academia da Música Country.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.