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América Latina

EUA ensinaram tortura a militares argentinos, diz testemunha

29 jul 2010 - 15h30
(atualizado às 15h54)
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Pela primeira vez nos vários julgamentos por crimes da ditadura argentina (1976-1983), membros do Exército dos Estados Unidos foram acusados de ensinar técnicas de torturas a repressores argentinos, segundo o testemunho de um militar divulgados nesta quinta-feira pela imprensa local.

"Fiz um curso anti-guerrilha, em 1967 com os ianques. Ali eu aprendi a matar. Nos ensinaram técnicas de interrogatório por meio da tortura", indicou o suboficial aposentado argentino Roberto Reyes ao declarar em julgamento que se realiza na cidade argentina de San Rafael, na fronteira com o Chile.

Reyes, que testemunhou na quarta-feira, disse que "ao redor de 20 rangers (tropas de elite) que estiveram no Vietnã" ensinaram tais práticas a "200 oficiais e suboficiais" do Exército argentino.

O curso foi ministrado na cidade de Tartagal, na fronteira com a Bolívia, quando a Argentina era governada pela ditadura do general Juan Carlos Onganía (1966-1969).

Na ocasião, o Exército boliviano perseguiu e capturou no sul da Bolívia o líder guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara, assassinado em 8 de outubro de 1967.

Os instrutores americanos ensinaram vários métodos de tortura, entre eles capturar uma pessoa e amarrá-la "ao sol, depois de tirar-lhe as pálpebras para que não pudesse fechar os olhos", disse Reyes ao tribunal que processa quatro militares e um civil por crimes contra a humanidade cometidos em San Rafael durante a ditadura.

Sustentou, no entanto, que todo mundo conhecia essas técnicas e os americanos "não vinham com nada novo", até que os instrutores "acabaram aprendendo" de seus alunos.<

p> Reyes assinalou que foi um dos que foi instruído em técnicas de torturas, embora fizesse parte de uma banda musical do Exército argentino.

O militar aposentado foi convocado a depor como testemunha de acusação por sua ex-função de guarda de um antigo centro de detenção de presos políticos da ditadura que funcionou em San Rafael, 1 mil km ao oeste de Buenos Aires.

Em outros julgamentos por violações dos direitos humanos da ditadura argentina, já se denunciou que instrutores franceses ensinaram métodos de torturas a militares argentinos por meio de acordos de cooperação do final dos anos 1960.

EFE   
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