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Eleições no Paraguai: impeachment de Lugo foi inevitável, diz Efrain Alegre

Em entrevista ao Terra, candidato do Partido Liberal confirma intenção de renegociar tratado de Itaipu com o Brasil, diz que impeachment de Fernando Lugo foi ‘inevitável’ e promete diálogo para voltar ao Mercosul e à Unasul

20 abr 2013
14h22
atualizado às 15h32
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O senador Efrain Alegre, candidato do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) à presidência do Paraguai no próximo domingo, afirma que o juízo político que destituiu o ex-presidente Fernando Lugo em junho do ano passado foi ‘inevitável’. Alegre, cujo partido era aliado do governo até dias antes do julgamento no Senado, afirma, em entrevista exclusiva ao Terra, que o impeachment foi “consequência de erros cometidos pelo governo”.

<p>Efrain Alegre, candidato do Partido Liberal, já aparece como líder em algumas pesquisas</p>
Efrain Alegre, candidato do Partido Liberal, já aparece como líder em algumas pesquisas
Foto: Paraguay Alegre / Divulgação

Efrain Alegre, 50 anos, já aparece na frente do principal opositor, o candidato colorado Horacio Cartes, nas pesquisas. Cartes liderava todos os levantamentos, mas a reviravolta tem um motivo claro: Alegre conquistou o apoio do partido do general Lino Oviedo, que morreu em fevereiro em um acidente de helicóptero, e, com isso, ganhou alguns pontos percentuais valiosos que podem lhe dar a presidência do país. No Paraguai não há segundo turno, e o vencedor é declarado por maioria simples.

Em junho do ano passado, o país viveu uma crise política após o juízo político que destituiu o presidente Fernando Lugo, acusado de mau desempenho de suas funções. O impeachment só foi possível porque o PLRA deixou a base aliada, permitindo assim que a oposição tivesse maioria para destituir Lugo.

O principal argumento para julgar o então presidente de esquerda foi o massacre de Curuguaty, no qual policiais e camponeses morreram durante a desocupação de uma fazenda que pertence a um ex-presidente do Partido Colorado. O episódio ainda gera muitas dúvidas. Recentemente, Lugo pediu que Alegre, Cartes e outros membros dos partidos Liberal e Colorado sejam investigados pelo massacre. Segundo ele, a desocupação da fazenda tinha tudo para ser pacífica.

O impeachment de Lugo foi considerado golpe de Estado pelos países vizinhos. O governo do então vice-presidente Federico Franco, que assumiu a presidência, não foi reconhecido e o Paraguai foi suspenso do Mercosul e da Unasul. A promessa é que tudo volte ao normal após as eleições deste domingo. Alegre afirmou que, se eleito, iniciará diálogos com os países vizinhos para retornar aos dois blocos. A entrevista a seguir foi concedida ao Terra, por e-mail, uma semana antes das eleições. 

<p>Candidato do Partido Liberal afirma que destituição de Lugo não era desejada, mas foi inevitável </p>
Candidato do Partido Liberal afirma que destituição de Lugo não era desejada, mas foi inevitável
Foto: Paraguay Alegre / Divulgação
Terra – O senhor quer que o Paraguai volte a fazer parte do Mercosul? Como vai buscar isso?
Efrain Alegre – Sim, obviamente. O Paraguai é parte do Mercosul, é um dos fundadores desse bloco. Não pode viver de costas ao bloco nem o Mercosul de costas a nós. 

Terra – Como o senhor vai recuperar a confiança dos países vizinhos nas instituições políticas paraguaias? E como vai conduzir as relações com esses países, especialmente com o Brasil?
Efrain Alegre – A confiança se ganha com ações dos governos, quando elas garantem uma relação saudável com os vizinhos. Temos muitos interesses em comum. O que nos une é muito mais importante do que os assuntos que nos separam. Portanto, é questão de conversar e encontrar o ponto que nos permita voltar ao caminho da cooperação amistosa que sempre caracterizou as relações entre o Paraguai e o Brasil.

Terra – Em sua opinião, é importante para o país ter voz na Unasul novamente? Como o senhor avalia o trabalho desse grupo de países criado recentemente?
Efrain Alegre – Claro que sim, somos o coração de América do Sul e somos fundadores desse bloco. A Unasul é uma instituição nova, obviamente ainda deve percorrer um caminho importante para ir definindo com maior precisão suas metas, métodos e os mecanismos para alcançar esses objetivos. 

<p>O Paraguai elege o próximo presidente neste domingo. Não há segundo turno e o vencedor é declarado por maioria simples </p>
O Paraguai elege o próximo presidente neste domingo. Não há segundo turno e o vencedor é declarado por maioria simples
Foto: Paraguay Alegre / Divulgação
Terra – Que motivos levaram seu partido a retirar o apoio ao ex-presidente Lugo no ano passado? E como o senhor avalia todo o processo que culminou com o juízo político do ex-presidente e sua destituição?
Efrain Alegre – Havia uma crise política no Paraguai e o juízo político não caiu do céu. Essa crise se agravou com o tempo e resultou no massacre de Curuguaty. Infelizmente, o então presidente Lugo não conduziu a situação com a inteligência e prudência que desejávamos. O juízo político não era algo que nós desejávamos, mas sim inevitável, consequência de erros cometidos pelo governo. 

Terra – O governo diz que hoje o Paraguai precisa de mais energia para seu consumo interno. Isso implicaria na renegociação dos tratados das usinas binacionais com o Brasil e com a Argentina. Como o senhor vai resolver esse problema? 
Efrain Alegre – Através da renegociação dos tratados de ambas binacionais. O Paraguai tem direito a sua energia, para gerar trabalho, desenvolvimento. Queremos usar a energia para dar oportunidades para que as empresas paraguaias, brasileiras, argentinas e de outros países apostem em nosso país, gerem emprego, porque somos um país seguro, previsível, competitivo e com intenção de crescer.

Terra – O que o senhor pensa a respeito dos ‘brasiguaios’? Há setores da sociedade paraguaia que não aceitam a presença desses brasileiros.
Efrain Alegre – Paraguai nunca foi um país xenófobo, sempre foi um país que abriu as portas para diferentes correntes de migração desde o século XIX e sempre será assim. Os brasileiros que estão ou que venham a se instalar serão bem-vindos, assim como todos aqueles estrangeiros que estejam ou venham ao país. Eles, como os paraguaios, devem respeitar as normas ambientais, as normas trabalhistas, as disposições  jurisdicionais, ou seja, ajustar-se ao que dita a lei. Esse é o único requisito e que garante uma convivência civilizada.

Terra – Que propostas o senhor tem para eliminar a imagem de exportador de produtos falsificados?
Efrain Alegre – Em primeiro lugar, confirmar que no dia 21 de abril cairá a maior carga narco da história de nosso país. Com Efrain Alegre, o Paraguai será diferente, terá um esquema produtivo diferente, será um país de uma economia de produção e não de triangulação, contrabando, pirataria e narcotráfico. Seremos um país sério que produz.

Terra – Como o senhor vai combater a epidemia de dengue que, ano após ano, afeta o Paraguai? O senhor e sua família, inclusive, foram vítimas da doença.
Efrain Alegre – A epidemia de dengue não pode ser resolvida só pelas políticas de Estado, mas também pela conduta dos cidadãos, porque o mosquito transmissor surge nas casas, nos terrenos baldios e nos jardins. O ministro de Saúde atual, Antonio Arbo, que forma parte da equipe de construção de políticas de saúde do meu programa de governo, convida a população a participar dos trabalhos de prevenção. Trata-se de um esforço coletivo.

Terra – Com a morte do candidato Lino Oviedo, o partido do ex-candidato optou por apoiar a sua candidatura já na reta final da campanha. Como o senhor recebeu essa notícia?
Efrain Alegre – Evidentemente, (o cenário) mudou de maneira radical. Lamentamos profundamente sua morte e acompanhamos a sua família e seus seguidores em sua dor. Celebramos que o partido Unace tenha decidido acompanhar minha candidatura. Eles somam suas forças a este grande projeto que convoca a vários setores políticos, liberais, independentes, colorados, socialistas, e agora, o partido do grande Lino Cesar Oviedo.

Fonte: Terra
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