Ativista pró-Palestina deportado vira símbolo da repressão política em universidades dos EUA
A decisão judicial publicada na quarta-feira (17) que autoriza a expulsão do estudante Mahmoud Khalil, ativista pró-Palestina e ex-líder das manifestações na Universidade Columbia, em Nova York, reacendeu o debate sobre repressão política nos campi universitários dos EUA. O veredito foi proferido em abril pela juíza de imigração Jamee Comans, da Louisiana, e prevê sua deportação para a Argélia - país de sua cidadania - ou para a Síria, onde nasceu em uma família palestina.
A decisão judicial publicada na quarta-feira (17) que autoriza a expulsão do estudante Mahmoud Khalil, ativista pró-Palestina e ex-líder das manifestações na Universidade Columbia, em Nova York, reacendeu o debate sobre repressão política nos campi universitários dos EUA. O veredito foi proferido em abril pela juíza de imigração Jamee Comans, da Louisiana, e prevê sua deportação para a Argélia - país de sua cidadania - ou para a Síria, onde nasceu em uma família palestina.
O caso ainda pode ser revertido judicialmente, mas já mobiliza entidades de direitos civis, juristas e movimentos estudantis. Khalil, que possui residência legal nos EUA por meio do green card, foi detido em março pela polícia de fronteira (ICE) e mantido preso por mais de três meses em um centro de detenção para imigrantes. Durante esse período, sua esposa - uma dentista norte-americana - deu à luz ao primeiro filho do casal.
Segundo a juíza, Khalil teria omitido informações de forma "deliberada" em seu processo imigratório. A defesa nega e afirma que se trata de uma retaliação política. Em nota à União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), o estudante declarou: "Não é surpresa que o governo Trump continue adotando medidas de retaliação contra mim por exercer minha liberdade de expressão".
"Macarthismo" manda lembranças
Khalil tornou-se um dos rostos mais visíveis do movimento "Revolt for Rafah", que ocupou o campus de Columbia em protesto contra os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza. A repressão ao movimento estudantil pró-Palestina tem se intensificado desde o retorno de Donald Trump à presidência, em janeiro de 2025. Segundo levantamento da Human Rights Watch, ao menos 17 estudantes foram detidos em ações semelhantes desde fevereiro, e três enfrentam processos de deportação.
O caso Khalil remete a episódios históricos de perseguição política nos EUA. Durante o macarthismo, nos anos 1950, estudantes e professores foram expulsos de universidades sob suspeita de simpatia comunista. Mais recentemente, em 2020, líderes do movimento Black Lives Matter foram alvo de vigilância federal e ações judiciais após protestos contra a violência policial.
A cláusula legal usada para justificar a expulsão - prevista na Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952 - permite deportações por "risco à política externa", uma formulação vaga que tem sido criticada por juristas por abrir margem à perseguição ideológica. O secretário de Estado, Marco Rubio, defendeu publicamente a medida, alegando que Khalil "representa uma ameaça à estabilidade diplomática dos EUA".
Reações e mobilização
A decisão provocou protestos em Nova York, Washington e no próprio campus da Columbia. Estudantes, professores e organizações como a ACLU e o Center for Constitutional Rights classificaram a expulsão como "um ataque direto à Primeira Emenda", que garante liberdade de expressão e associação nos Estados Unidos.
O caso também repercute internacionalmente. A Anistia Internacional e a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) pediram que o governo norte-americano suspenda a deportação e investigue possíveis abusos de poder.
Para o público brasileiro, o episódio revela como o ativismo universitário - especialmente ligado a causas internacionais - pode ser criminalizado em contextos de polarização extrema.
A defesa de Khalil prepara um recurso em instâncias superiores, e o caso deve se tornar um marco jurídico sobre os limites da liberdade política de estudantes estrangeiros nos EUA.
(Com AFP)