Ataques dos EUA são uma 'afronta gravíssima à soberania da Venezuela', diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma "afronta gravíssima" à soberania da Venezuela os ataques dos Estados Unidos no país latino-americano e a captura do presidente Nicolás Maduro, anunciada por Donald Trump neste sábado (3).
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável" e ameaçam a "preservação da região como zona de paz", afirmou o líder brasileiro no X. Lula também chamou a comunidade internacional, por meio das Nações Unidas, a "responder de forma vigorosa" aos ataques.
Durante seus primeiros governos (2003 a 2010), Lula foi um importante aliado do chavismo, movimento político liderado por Hugo Chávez que, após sua morte em 2013, levou Maduro ao poder.
Mas a relação do líder brasileiro com o presidente venezuelano se desgastou nos últimos anos, especialmente após a reeleição de Maduro em 2024, quando foi acusado de cometer fraude e de se manter ilegalmente no poder.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em…
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Lula não reconheceu a vitória de Maduro devido à falta de transparência na divulgação das atas eleitorais, embora também não tenha admitido o triunfo do candidato opositor. Apesar disso, condenou a "interferência" dos EUA nos países latinos.
A ação dos Estados Unidos neste sábado "lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe (...) A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado", advertiu o presidente brasileiro.
Em dezembro, Lula chegou a se oferecer como mediador para dialogar com Trump e Maduro, buscando evitar um conflito armado na América Latina, uma vez que Brasil e Venezuela compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira.
Julgamento nos EUA
Os ataques foram feitos com helicópteros a partir da 1h50 da manhã (2h30 de Brasília) na capital Caracas, no estado Aragua (região central) e em La Guaira, costa central da Venezuela.
Horas mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou a captura de Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, após um "ataque em grande escala" contra a capital venezuelana e outras regiões do país.
Trump informou ainda que Maduro e sua esposa estão sendo levados para Nova York, a bordo de um navio da Marinha norte-americana posicionado no Caribe. Nos EUA, os dois serão julgados pelos crimes de conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, com base em um processo movido pelo Distrito Sul de Nova York.
Por meio do X, a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Maduro "enfrentará em breve toda a severidade da Justiça dos EUA, em solo americano, em tribunais americanos".
Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, have been indicted in the Southern District of New York. Nicolas Maduro has been charged with Narco-Terrorism Conspiracy, Cocaine Importation Conspiracy, Possession of Machineguns and Destructive Devices, and Conspiracy to Possess…
— Attorney General Pamela Bondi (@AGPamBondi) January 3, 2026
RFI com AFP