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América Latina

Argentina volta atrás e mantém aeroportos fechados por vulcão

13 jun 2011 - 22h16
(atualizado às 23h46)
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Os dois principais aeroportos da Argentina continuavam fechados na segunda-feira devido à presença da nuvem de cinzas do vulcão chileno que há nove dias prejudica o tráfego aéreo no Cone Sul. Apesar dos preparativos para a reabertura dos terminais anunciada no início da noite, a partir das 20h (horário de Brasília), uma mudança nos ventos trouxe novamente à região as cinzas vulcânicas, que podem prejudicar as turbinas dos aviões.

Uma nuvem de fumaça e cinzas é expelida pelo vulcão Puyehue, próximo a Osorno, no Chile
Uma nuvem de fumaça e cinzas é expelida pelo vulcão Puyehue, próximo a Osorno, no Chile
Foto: AFP

As companhias estatais Aerolíneas Argentinas e Austral disseram que cancelaram partidas e chegadas reprogramadas "devido às mudanças nas condições meteorológicas", e a filial local da chilena LAN informou que suas operações foram afetadas pelas notícias "que indicam a presença de cinzas vulcânicas." Os aeroportos que atendem Buenos Aires, que já tinham sido atingidos ao longo de toda a semana passada, foram fechados na tarde de domingo devido às cinzas, que fecharam o espaço aéreo na região central da Argentina.

Segundo previsões meteorológicas, os ventos poderiam levar a nuvem a cobrir nos próximos dias toda essa região do país. O fechamento do aeroporto internacional de Ezeiza e do aeroporto central Jorge Newbery, na área metropolitana de Buenos Aires, repercutiu principalmente no Chile e no Brasil, onde as companhias aéreas LAN, TAM e Gol cancelaram vários voos para a capital argentina.

O aeroporto de Montevidéu, no Uruguai, também foi afetado e milhares de passageiros de ambos os lados do rio da Prata foram prejudicados, entre eles o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, cujo avião precisou aterrissar a 800 km de Buenos Aires.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que Ban comeu alfajores no café da manhã em um posto de gasolina em Rosario, a 300 km de Buenos Aires, durante a viagem de carro até a capital. O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, também foi prejudicado pelo fechamento dos aeroportos e precisou viajar de barco de Montevidéu a Buenos Aires, uma viagem que demora três horas e que de avião seria de 35 minutos.

Até o mercado cambial argentino foi afetado em sua liquidez, já que o cancelamento dos voos impediu a chegada de cédulas de dólares e o Banco Central precisou cobrir necessidades específicas, de acordo com operadores. O complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle entrou em erupção há nove dias, lançando uma nuvem de fumaça e cinzas que cobriu diferentes cidades e começou a se dirigir para noroeste por efeito do vento, chegando inclusive ao sul do Brasil.

Cidades cordilheiras argentinas como San Carlos de Bariloche e Villa La Angostura estão cobertas pelas cinzas, que mudaram a cor das águas tradicionalmente azuis de seus lagos. As duas cidades turísticas estavam praticamente vazias devido ao fechamento dos aeroportos, as aulas foram suspensas e a imprensa local afirmou que a população encontra dificuldades para conseguir combustível a poucos dias do início da temporada de inverno. As autoridades decretaram emergência agropecuária na região em consequência das cinzas.

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