Após vitória apertada, Keiko Fujimori enfrenta cenário de crise na presidência do Peru
Eleita por uma margem mínima de votos, Keiko Fujimori assumirá em julho a presidência do Peru diante de um cenário de múltiplos desafios. Aos 51 anos, ela chega ao poder em meio à escalada da violência, à desaceleração econômica e a uma crise política que levou o país a ter oito presidentes desde 2016.
A candidata de direita venceu por menos de um ponto percentual seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, segundo os resultados finais da apuração divulgados nesta segunda-feira (29), três semanas após o segundo turno. Keiko obteve 50,13% dos votos, contra 49,86% de Sánchez, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), uma diferença inferior a 50 mil votos.
"Estamos cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos", publicou Keiko Fujimori na rede X após a conclusão da apuração.
A expectativa é que a autoridade eleitoral proclame oficialmente o resultado nos próximos dias e que, em 15 de julho, sejam entregues as credenciais de presidente eleita.
Segundo análises da imprensa local, Keiko Fujimori terá como principais desafios formar um gabinete sólido, capaz de gerar confiança e resultados rápidos, ao mesmo tempo em que busca superar a resistência ao fujimorismo e responder à pressão imediata por avanços em áreas como segurança, economia, saúde e preparação para o El Niño.
Polarização exige abertura
A própria presidente eleita reconheceu a divisão do país após a disputa acirrada. "Sabemos que o país está dividido. Temos a grande responsabilidade de ouvir ambos os lados. As portas do diálogo estão abertas", declarou após a conclusão da apuração. Em outra mensagem publicada na rede X, afirmou que o Peru está "cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos".
A segurança pública foi o principal tema da campanha. Entre 2018 e 2025, o número anual de homicídios registrados no país passou de cerca de 1 mil para 2,6 mil, enquanto as denúncias de extorsão cresceram oito vezes, alcançando 26,5 mil casos. Durante a campanha, Keiko prometeu adotar uma política de "mão dura" contra o crime organizado.
Volta do Fujimorismo
A vitória também representa o retorno do fujimorismo ao poder, mais de duas décadas depois da queda de Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Enquanto seus apoiadores lhe atribuem a derrota da guerrilha Sendero Luminoso e a estabilização da economia, seus críticos lembram sua condenação por corrupção e crimes contra a humanidade.
Esse legado acompanha toda a trajetória política da filha. Administradora formada nos Estados Unidos, ex-deputada e presidente do Fuerza Popular, Keiko tornou-se primeira-dama aos 19 anos, após a separação dos pais. Seu sobrenome lhe garantiu reconhecimento nacional e uma base eleitoral fiel, mas também alimentou um forte sentimento antifujimorista que contribuiu para suas derrotas nas eleições de 2011, 2016 e 2021.
Na campanha deste ano, procurou adotar um tom mais conciliador e reconheceu erros do passado. "Cometi erros. Aprendi com eles e voltei muito mais forte", afirmou durante um debate presidencial.
Sua trajetória também foi marcada por investigações judiciais. Ela chegou a passar mais de um ano em prisão preventiva por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao escândalo da Odebrecht. O processo ainda não foi concluído.
Keiko tomará posse em 28 de julho para um mandato de cinco anos. Até lá, deverá receber oficialmente o certificado de presidente eleita em 15 de julho. O primeiro teste de seu governo será demonstrar que consegue transformar uma vitória apertada em governabilidade e reduzir a polarização que há anos marca a política peruana.
Com AFP
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