Crise no governo Milei: homem de confiança cai após escândalo fiscal e presidente troca chefe de gabinete
O presidente argentino, Javier Milei, nomeou neste domingo (28) Diego Santilli como chefe de gabinete de ministros, em substituição a Manuel Adorni, que renunciou após admitir ter mentido em sua declaração patrimonial. A posse ocorrerá nesta terça-feira (30), anunciou Milei em uma mensagem publicada no X. Diego Santilli, de 59 anos, era ministro do Interior desde novembro de 2025. Ele será o quarto chefe de gabinete sob Javier Milei desde que o presidente chegou ao poder, em dezembro de 2023.
"Assumo o maior desafio da minha vida e me comprometo a continuar o trabalho para que este governo siga fazendo história. Acredito em projetos coletivos, não individuais", escreveu Santilli no X, afirmando estar pronto para "dar tudo" pelas "reformas estruturais de que a Argentina precisa há décadas".
Manuel Adorni negou qualquer irregularidade com o fisco em uma carta dirigida ao presidente e publicada no X. Ele se justificou afirmando que havia "poupado na informalidade" investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018, antes de entrar na política.
Adorni também se comprometeu a pagar "até o último imposto, até a última multa, todos os juros, tudo o que decorre desse erro". O caso é investigado pela Justiça federal e inclui acusações sobre a compra e a reforma de imóveis por centenas de milhares de euros, que a cada semana ganham um novo capítulo.
O mais recente envolve um suposto recibo de compra de roupas de cama por cerca de € 5 mil euros. Ele era considerado o membro do governo mais próximo de Milei, de quem até então sempre recebeu apoio incondicional. Na semana passada, ele já havia renunciado ao cargo de porta-voz da Presidência, função que exercia de forma informal.
Asumo el desafío más importante de mi vida con el compromiso de seguir trabajando para que este Gobierno siga haciendo historia.
Creo en los proyectos colectivos, no en los individuales. Por eso voy a trabajar en equipo, junto a un gran Gabinete encabezado por el Presidente… https://t.co/i3mmohafvc
— Diego Santilli (@diegosantilli) June 28, 2026
Investigações
A polêmica começou em março, quando a imprensa apontou uma viagem oficial a Nova York com a esposa, e viagens de férias em jato privado com a família. Outros vazamentos desencadearam uma investigação judicial sobre a compra, nos últimos dois anos, de imóveis não declarados.
O ministro ainda não foi convocado a depor no âmbito dessa investigação. Para o analista político Gustavo Marangoni, o caso prejudica a reputação do governo, mas esse dano não terá necessariamente uma tradução eleitoral nas presidenciais de 2027. Trata-se de "uma fragilidade objetiva, mas não necessariamente irreversível", disse à agência AFP.
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