Chegada de trabalhadores africâneres nos EUA reacende tensões raciais em fazendas do Mississippi
À medida que milhares de africâneres - sul-africanos brancos de ascendência europeia - obtêm status de refugiados e vistos agrícolas temporários H-2A para os Estados Unidos, a chegada em massa desses imigrantes em fazendas no Delta do Mississippi, berço do movimento pelos direitos civis no país, reacende tensões sociais e raciais. Denúncias de favoritismo, disparidades salariais e condições de trabalho perigosas alimentam as insatisfações de trabalhadores afro-americanos.
Os africâneres representarão a grande maioria das 7,5 mil pessoas que terão recebido documentos de refugiados nos EUA este ano, sob a justificativa de que são perseguidos em seu país de origem. O governo sul-africano tem negado sistematicamente essa acusação.
No final de maio, o governo de Donald Trump anunciou o plano de admitir mais 10 mil sul-africanos brancos como refugiados, a um custo estimado de mais de US$ 100 milhões, segundo o Departamento de Estado. Um número crescente de africâneres tem atravessado o Atlântico para trabalhar como mão de obra sazonal em fazendas americanas, gerando tensões sociais e raciais em nível local.
Em 2024, 15 mil sul-africanos brancos obtiveram vistos temporários H-2A para os Estados Unidos. O programa permite que empregadores dos EUA contratem trabalhadores agrícolas estrangeiros quando não há mão de obra local disponível. Os trabalhadores sul-africanos são particularmente valorizados por falarem inglês e possuírem sólidas habilidades agrícolas.
Tendência em rápida ascensão
O número de empregados sazonais africâneres cresceu mais de 800% desde 2011. Ao longo dos anos, a presença desses trabalhadores se espalhou por cada vez mais fazendas, particularmente no Delta do Mississippi. Historicamente, o trabalho agrícola no estado era realizado por famílias negras com raízes profundas na região.
Especificamente no Condado de Sunflower, cinco trabalhadores afro-americanos apresentaram uma queixa contra Gregory Carr, um proprietário de fazenda acusado de usar empresas de fachada para priorizar a contratação de sul-africanos brancos em detrimento de trabalhadores afro-americanos igualmente qualificados.
Além disso, segundo relatos, trabalhadores sazonais da África do Sul receberiam aumentos salariais regulares, ao contrário de seus colegas americanos, contratados como "prestadores de serviços independentes" sem benefícios de seguridade social e que, durante anos, receberam US$ 10 por hora.
Uma queixa semelhante já havia sido apresentada em 2021 por vários trabalhadores sazonais afro-americanos contra outro proprietário de fazenda no mesmo condado.
A imprensa sul-africana relata que pelo menos dois jovens trabalhadores rurais sul-africanos perderam a vida nos últimos anos, por asfixia dentro de silos de grãos nessas fazendas dos EUA, devido à falta de medidas de segurança.
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