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América Latina

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Venezuela: busca por sobreviventes após terremotos continua; gestão de cadáveres complica operações

As chances de encontrar sobreviventes após os dois terremotos que deixaram pelo menos 1.450 mortos na Venezuela são cada vez menores nesta segunda-feira (29). Milhares de pessoas continuam desaparecidas após a catástrofe. Os dois tremores sucessivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram 774 edifícios, sendo que 189 deles desabaram, segundo o governo.

29 jun 2026 - 08h31
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Aabla Jounaïdi, enviada especial da RFI à Venezuela, com agências

A assistente social Katty Santana trabalha no setor de traumatologia infantil em um bairro popular de Caracas. Ela lida com situações trágicas, como crianças que perderam os pais. "Temos um planejamento do que vamos fazer e vamos buscar recursos. Recebemos muitas doações no escritório, muitas roupas, fraldas. Tudo vai depender da idade das crianças que chegarem e se elas vão estar com os pais ou não", explica. "Também estamos preparados para prestar primeiros socorros psicológicos. As crianças não vivenciam essa situação da mesma forma que os adultos."

Outra questão é como lidar com a enorme quantidade de cadáveres e o clima quente, que acelera a decomposição. "Há controvérsia: o protocolo internacional diz que não se pode aplicar cal e formol nos corpos, porque isso acelera a decomposição ou compromete características físicas e impressões digitais. Mas, em um país como o nosso, em que é preciso agir imediatamente, faltam sacos plásticos para os corpos e muitos deles, por não serem identificados, acabam em valas comuns."

Os voluntários que trabalham nas buscas estão divididos entre a esperança de achar sobreviventes e a frustração. "O momento mais difícil é quando sentimos esperança nos túneis por onde entramos rastejando. Ao chegar ao local, encontramos as pessoas sem vida", admite Luis Salas, de 27 anos, também voluntário.

Em meio à tragédia, há também histórias com final feliz que emocionam as equipes. Quase quatro dias após o terremoto, um homem e seu filho adolescente foram resgatados no domingo, em Caraballeda, uma cidade costeira ao norte de Caracas. Socorristas americanos e franceses retiraram o jovem e seu pai de uma montanha de escombros, abalados e exaustos, nus, em macas.

Socorrista dos EUA afaga cão de busca durante operações de resgate em La Guaira após terremotos; equipes tentam localizar sobreviventes entre escombros.
Socorrista dos EUA afaga cão de busca durante operações de resgate em La Guaira após terremotos; equipes tentam localizar sobreviventes entre escombros.
Foto: RFI

"Mantemos a esperança", diz Delcy Rodríguez

No domingo, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse que os terremotos foram as "catástrofes naturais mais brutais que o país já sofreu em toda a sua história". As Nações Unidas estimam o número de desaparecidos em cerca de 50 mil. "As operações de busca e resgate continuam. Encontramos pessoas vivas, mantemos sempre a esperança", afirmou a presidente interina Delcy Rodríguez, que prorrogou o fechamento das escolas por mais uma semana.

Delcy Rodríguez agradeceu aos 24 países que enviaram mais de 520 toneladas de material, 2.700 socorristas e 86 equipes com cães. Os danos são estimados em quase US$ 7 bilhões, o equivalente a 6% do PIB do país, segundo a ONU.

Como grandes catástrofes naturais raramente deixam mais de 72 horas para encontrar sobreviventes, o país se divide entre a determinação de salvar mais vidas e às críticas às autoridades sobre a falta de recursos para organizar o resgate.

No bairro de San Bernardino, em Caracas, socorristas escalaram um prédio usando perfuradores para quebrar o concreto e formando cadeias humanas para retirar os destroços manualmente. Em Chacao, outro bairro da capital, grandes painéis publicitários exibiam os rostos de pessoas desaparecidas na esperança de localizá-las.

Durante muitas horas, antes da chegada dos primeiros socorristas estrangeiros, os venezuelanos tiveram de vasculhar os escombros com as próprias mãos devido à falta de equipamentos de construção e de elevação.

O governo restringiu o acesso ao estado de La Guaira ao exigir que voluntários obtenham autorização. Algumas centenas de soldados da Força Aérea dos EUA já estão no local para apoiar "o aumento do fluxo essencial do tráfego aéreo de entrada e saída", informou o Comando Militar dos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe (Southcom). Um contingente adicional de cerca de 130 fuzileiros navais deve desembarcar no porto de La Guaira (norte) para transportar suprimentos e equipamentos por via marítima.

Com AFP e Reuters

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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