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África

Rebeldes anunciam controle da capital da República Centro-africana

Militantes da coalizão Séléka chegaram a Bangui neste sábado; acredita-se que o presidente centro-africano, François Bozizé, tenha deixado o país

24 mar 2013 - 10h55
(atualizado às 14h54)
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Rebeldes da Séléka patrulham estrada da região de Damara (foto de 10 de janeiro de 2013)
Rebeldes da Séléka patrulham estrada da região de Damara (foto de 10 de janeiro de 2013)
Foto: AFP

Os rebeldes centro-africanos da coalizão Séléka tomaram neste domingo a capital Bangui depois de uma ofensiva relâmpago lançada para derrubar o presidente no poder há dez anos, François Bozizé, que teria fugido da capital em direção à República Democrática do Congo.

"Não resta dúvida de que tomaram a cidade", declarou uma fonte militar da alta hierarquia, que não forneceu maiores detalhes. "Os rebeldes controlam a cidade, apesar de ainda haver alguns disparos a torto e a direita", afirmou, por sua vez, uma fonte da Força Multinacional da África Central (FOMAC) posicionada no país.

Antes, um dos chefes militares dos rebeldes, o coronel Djouma Narkoyo, anunciou a ocupação do palácio presidencial. "A República Centro-africana acaba de abrir uma nova página de sua história", comentou o rebelde, depois da queda do palácio presidencial. "Bozize não estava lá", afirmou, acrescentando que o chefe de Séléka, Michel Djotodia, fará um pronunciamento na rádio nacional.

François Bozizé, presidente da República Centro-Africana (foto de arquivo)
François Bozizé, presidente da República Centro-Africana (foto de arquivo)
Foto: AFP

Paradeiro icnerto de Bozizé

O presidente, no poder desde 2003, não é visto desde que visitou, na sexta-feira, seu aliado sul-africano Jacob Zuma em Pretória. Chegado ao poder mediante as armas em 2003, Bozizé foi eleito presidente em 2005 e reeleito em 2011 em uma votação muito criticada pela oposição.

Uma fonte afirmou à AFP que o presidente abandonou o território nacional de helicóptero, mas não soube informar seu destino. O certo é que basta cruzar o rio Ubangui para chegar à cidade de Zongo, na vizinha República Democrática do Congo (RDC). Em Kinshasa, o porta-voz do governo da RDC, Lambert Mendé, assegurou à AFP: "O presidente Bozizé não pediu para vir para a República Democrática do Congo".

Em Bangui, os rebeldes estão se posicionando em toda a capital para lançar operações de segurança e evitar os saques, segundo um dos porta-vozes do Séléka, Eric Massi, em Paris. Segundo várias testemunhas, pessoas armadas e alguns habitantes aproveitaram a situação para saquear comércios e casas.

Na véspera os rebeldes da Séléka já haviam anunciado sua entrada na capital Bangui, pedindo às Forças Armadas Centro-africanas (Faca) para não combatê-los e exigindo que o presidente François Bozizé deixe o poder. Diante desta situação, a França pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Cerca de 1.200 franceses vivem na Republica Centro-Africana. A França mantém 250 soldados neste país, mas não está previsto o envio de reforços, indicou o porta-voz.

Insurgência Séléka

A coalizão Séléka pegou em armas em 10 de dezembro, acusando o poder de não respeitar vários acordos de paz assinados entre o governo e as várias rebeliões no país, especialmente o acordo de paz de Libreville de 2008.

Um acordo para superar a crise na República Centro-Africana, que incluía um cessar-fogo, a formação de um governo de unidade nacional e a manutenção do presidente foi assinado em 11 de janeiro. Contudo, a rebelião anunciou na quarta-feira que voltaria a se armar devido ao desrespeito dos acordos por parte dos aliados de Bozizé.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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