Rebeldes centro-africanos anunciam entrada na capital Bangui
Os rebeldes centro-africanos da coalizão rebelde Seleka anunciaram neste sábado sua entrada na capital Bangui, pedindo às Forças Armadas Centro-africanas (Faca) a não combater e exigindo que o presidente François Bozizé deixe o poder.
"Nossos elementos acabam de entrar no PK 12 (ponto km 12 que marca e entrada em Bangui). Fazemos um apelo para que a população permaneça em casa, as Faca não combatam, e o presidente Bozizé deixe o poder", anunciou um porta-voz da rebelião, Eric Massi.
"Fazemos um apelo a todas as forças no terreno a não cometerem nenhum excesso, nenhum furto e nenhum acerto de contas contra as populações", acrescentou.
Diante desta situação, a França pediu "uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas", anunciou Romain Nadal, porta-voz da presidência francesa.
Nadal acrescentou que Paris pede a seus cidadãos "que permaneçam em suas casas", e que uma "evacuação até o momento não foi ordenada".
Cerca de 1,2 mil franceses vivem na República Centro-Africana. A França mantém 250 soldados neste país, mas não está previsto o envio de reforços, indicou o porta-voz.
No terreno, o comandante da Força Multinacional da África Central (Fomac), o general gabonês Jean Félix Akaga, afirmou ser "possível ouvir explosões nas portas de Bangui". Uma fonte militar centro-africana também indicou "disparos nos arredores do PK12".
Os tiros provocaram pânico entre a população e muitos habitantes começaram a fugir ou a entrar em suas casas, segundo testemunhas em Bangui. O comércio foi fechado no fim da tarde.
O tráfego era quase inexistente no início da noite, com apenas veículos militares circulando nas principais avenidas.
A coalizão Seleka pegou em armas em 10 de dezembro, acusando o poder de não respeitar vários acordos de paz assinados entre o governo e as várias rebeliões no país, especialmente o acordo de paz de Libreville de 2008.
Um acordo para superar a crise na República Centro-Africana, que incluía um cessar-fogo, a formação de um governo de unidade nacional e a manutenção do presidente François Bozizé, foi assinado em 11 de janeiro.
Contudo, a rebelião anunciou na quarta-feira que voltaria a se armar devido ao desrespeito dos acordos por parte dos aliados de Bozizé. Na sexta-feira, os rebeldes do grupo Seleka superaram o último obstáculo na estrada em direção a Bangui e se encontram a alguns quilômetros da capital.