Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

África

Militares tomam o controle na Guiné-Bissau na véspera da divulgação de resultados eleitorais

Um grupo de oficiais que se autodenomina "Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem" afirmou ter assumido o controle da Guiné-Bissau até "segunda ordem" e ter fechado as fronteiras do país. A operação ocorre na véspera da divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo (23).

27 nov 2025 - 14h21
(atualizado em 27/11/2025 às 07h03)
Compartilhar
Exibir comentários

No início da tarde, o general Denis N'Canha, chefe da Casa Militar presidencial, sentado atrás de uma mesa e cercado por soldados armados, anunciou à imprensa, no quartel-general do Exército, que um "Alto Comando para a Restauração da Ordem, composto por todos os ramos das Forças Armadas", assumiria o "controle do país até segunda ordem", relataram jornalistas da AFP presentes no local.

O general Denis N’Canha (ao centro), chefe do gabinete militar da presidência, concede uma coletiva no Estado-Maior das Forças Armadas em 26 de novembro de 2025.
O general Denis N’Canha (ao centro), chefe do gabinete militar da presidência, concede uma coletiva no Estado-Maior das Forças Armadas em 26 de novembro de 2025.
Foto: © PATRICK MEINHARDT / AFP / RFI

"O que nos levou a fazer isso foi garantir a segurança nacional e também restaurar a ordem", acrescentou o general, referindo-se à descoberta, pela "Direção-Geral de Inteligência", de um "plano para desestabilizar o país com o envolvimento de narcotraficantes nacionais".

A Direção-Geral de Inteligência "confirmou a introdução de armas no país para alterar a ordem constitucional", acrescentou.

O general também anunciou a suspensão de "todo o processo eleitoral", o fechamento das "fronteiras terrestres, aéreas e marítimas" e a imposição de um "toque de recolher obrigatório".

"O exercício da autoridade do comando começa hoje. O comando faz um apelo à população para que mantenha a calma", acrescentou.

Situação calma 

A situação está calma nas ruas, de acordo com uma fonte da RFI no país, e vários membros da Guarda Presidencial ocupam rotas estratégicas que levam ao palácio presidencial.

Ao meio-dia, um intenso tiroteio foi presenciado ao redor do palácio, e um oficial superior confirmou aos jornalistas que prisões foram efetuadas.

O presidente, Umaro Sissoco Embaló, considerado o favorito nas eleições, estaria em um prédio atrás do quartel-general do Exército, "com o Chefe do Estado-Maior e o ministro do Interior", afirmou um oficial, sob condição de anonimato. A informação ainda não foi confirmada oficialmente.

A Comissão Eleitoral Nacional (CNE) também foi atacada por homens armados não identificados na quarta-feira, segundo responsáveis pela comunicação do órgão.

Na terça-feira (25), tanto o grupo de Embaló quanto o do candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reivindicaram a vitória na eleição presidencial, embora os resultados provisórios oficiais fossem esperados na quinta-feira.

Eleição contestada

A eleição presidencial, que ocorreu pacificamente no domingo, foi realizada sem o principal partido da oposição, o PAIGC, e seu candidato, Domingos Simões Pereira.

O PAIGC, partido histórico que liderou o país à independência pela força em 1974, foi excluído — também devido ao atraso na apresentação de sua candidatura — das eleições legislativas, que visam eleger os 102 membros do Parlamento.

A oposição denunciou a exclusão do PAIGC das eleições presidenciais e legislativas como "manipulação". O anúncio dos resultados eleitorais frequentemente provoca protestos na Guiné-Bissau. A eleição presidencial anterior, em 2019, levou a vários meses de crise pós-eleitoral, com Embaló e seu oponente Pereira reivindicando a vitória.

Com quase 40% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, a Guiné-Bissau está entre os países mais pobres do mundo. É conhecida por ser um centro de tráfico de drogas entre a América do Sul e a Europa, facilitado pela instabilidade política.

O país já sofreu quatro golpes de Estado e uma série de tentativas de golpe desde a sua independência.

A África Ocidental tem presenciado uma série de golpes militares desde 2020, no Mali, Burkina Faso, Níger e Guiné-Conacri.

RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade