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Cristãos egípcios aterrorizados após ataques a igrejas

16 ago 2013
10h46
atualizado às 11h06
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Catedral copta no centro do Cairo
Catedral copta no centro do Cairo
Foto: AFP

Os cristãos egípcios vivem aterrorizados após os últimos ataques a igrejas, lojas e casas que, segundo eles, foram realizados por seguidores do presidente islamita deposto Mohamed Mursi. Os atacantes começaram a queimar igrejas no país pouco depois da sangrenta expulsão, na quarta-feira, dos seguidores de Mursi que acampavam em duas praças do Cairo, no que parece ser uma represália.

"As pessoas estão mortas de medo, ninguém se atreve a sair de casa", disse Marco, um engenheiro de 27 anos por telefone à AFP a partir da cidade de Sohag. O pior é que os atacantes "sabem onde os coptas vivem", já que, depois de queimar várias igrejas, começaram com as casas.

A União Juvenil Maspero, um movimento da juventude copta, está convencida de que se trata de uma "guerra de represálias" contra a minoria religiosa, que representa 10% da população egípcia. O grupo acusou os seguidores de Mursi de convertê-los em alvo em resposta ao apoio do Papa dos coptos Tawadros II ao golpe militar que expulsou do poder no dia 3 de julho o líder islamita.

A Iniciativa Egípcia pelos Direitos Humanos (EIPR), uma ONG local, afirma que na quarta-feira ao menos 25 igrejas foram queimadas, assim como escolas cristãs, lojas e casas nas 27 províncias do país.

O arcebispo caldeu iraquiano, Louis Sako, disse à AFP que uma das igrejas de sua comunidade foi queimada na quarta-feira. "É um autêntico desastre", disse antes de advertir que a região é um vulcão perigoso.

Para Marco, os ataques contra as igrejas não são nenhuma surpresa, já que elas já haviam sido alvo em outras ocasiões. Mas o que mais o impactou foram os incêndios das casas de coptas e os saques de suas lojas. Os atacantes "gritavam slogans a favor de Mursi e usavam faixas na cabeça com a frase 'Irmandade Muçulmana' escrita", explicou.

A União Juvenil Maspero, que documentou a violência da qual os cristãos foram vítimas durante o ano em que Mursi permaneceu na presidência, também culpa os seguidores do líder deposto pelos ataques. "Os coptas são alvos de ataques em nove províncias, o que gera medo, perdas e destruição apenas porque são cristãos", disse o grupo.

Os seguidores de Mursi acusam frequentemente os cristãos de apoiar o presidente Hosni Mubarak, que foi deposto na revolta de 2011. Mas os cristãos também eram vítimas quando Mubarak estava no poder.

Na quinta-feira, o governo interino instalado pelo exército disse que os ataques contra os cristãos egípcios são a "linha vermelha" e afirmou que as autoridades "responderão energicamente" a qualquer provocação.

Pouco depois, o ministro da Defesa, o general Abdel Fatah al-Sissi, chefe das forças armadas que liderou o golpe, afirmou que o exército pagará a reconstrução das igrejas destruídas. O primeiro-ministro interino, Hazem Beblawi, também anunciou na quinta-feira que se reunirá com o Papa copta para manifestar sua solidariedade.

A agência de notícias estatal Mena informou que 80 partidários de Mursi foram detidos e serão julgados por tribunais militares por sua suposta participação nos incêndios de igrejas na província de Suez na quarta-feira.

A Irmandade Muçulmana não se manifestou a respeito, a não ser para sugerir que as autoridades estão por trás da violência. "O regime alçado ao poder pelo golpe militar está restaurando a violência sectária, como fizeram quando Mubarak estava a ponto de cair", disse o porta-voz Gehad el Haddad pelo Twitter.

Ishak Ibrahim, um pesquisador do EIPR sobre assuntos religiosos, disse que o Estado "tem que intervir para proteger a população. São necessárias ações concretas após os grandes discursos". Segundo ele, o "discurso do ódio" que existe contra os cristãos em todo o país é mais dos salafistas, dos islamitas mais conservadores, que da Irmandade Muçulmana.

A maioria dos ataques ocorreram fora das grandes cidades, em áreas onde a presença das forças de ordem é mínima. "Famílias que têm muito medo para sair para comprar comida esperam algo concreto", disse Karem, outro morador de Sohag.

infográfico massacre egito
infográfico massacre egito
Foto: AFP

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